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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

RASMUSSEN, NATO E “O TRABALHO DE DEUS”


 
Anders Fogh Rasmussen, ex-secretário geral da NATO até 2014, foi designado como consultor internacional da instituição financeira norte-americana Goldman Sachs, uma das responsáveis pela crise que explodiu em 2008 e que, como é sabido, aldrabou as contas sobre a dívida soberana grega apresentadas à União Europeia, embolsando, como compensação, grossas maquias de dinheiro.
A entrada na Goldman Sachs do antigo primeiro-ministro dinamarquês, um liberalóide que deixou obra arrasando o Estado social do país e privatizando a eito, que dirigiu a NATO num dos seus períodos mais criminosos e terroristas, impondo simultaneamente seis guerras em três continentes, não é uma surpresa. Insere-se na natureza do regime global saqueador, militarista e expansionista. A NATO e a Goldman Sachs têm tudo a ver uma com a outra, se a segunda é um uma quadrilha de ladrões de colarinho branco a primeira funciona como sua companhia de segurança e extorsão.
Anders Fogh Rasmussen é, mais uma vez, o homem certo no lugar certo. A sua nomeação para a Goldman Sachs demonstra, a quem tivesse dúvidas, que o terrorismo imperialista é militar, político e financeiro. Não se estranhe, pois, que as manipulações da principal praça financeira chinesa, a de Xangai, tenham o dedo da componente financeira associada à NATO, como parte da estratégia obamista de desestabilização da Ásia, conhecida como “pivot asiático”.
Lloyd Blankfein, o presidente da Goldman Sachs, gosta de dizer que ele se limita a fazer “o trabalho de Deus” na Terra. Assim sendo, a NATO é a “tropa divina” e apenas cobra a dízima aos súbditos, fiéis ou não.
Recuando da questão asiática, a que algumas alminhas mais sensíveis podem sofridamente colar o rótulo de “especulação” no que atrás foi dito, olhemos então para factos já passados e comprovados.
Vamos até à Líbia, uma das seis operações redentoras e “democráticas” conduzidas pela NATO sob a mão férrea de Rasmussen, dinamarquês sem pátria, a não ser a do dinheiro. Não vou tecer considerações sobre os mais de cem refugiados que nas últimas horas perderam as vidas naufragando ao largo das costas líbias, pelos vistos fugindo da “liberdade” e das quadrilhas de traficantes de gente que a NATO lhes deixou. Recordo apenas que a Goldman Sachs guardou automaticamente para si, após a “libertação” de Tripoli pelas hordas atlantistas e fundamentalistas islâmicas, 1300 milhões de dólares que o governo líbio de Khaddafi lhe tinha confiado em 2008. Além disso, a Goldman Sachs não terá deixado os seus créditos por mãos alheias quando soou a hora de partilhar, entre os “libertadores”, os 130 mil milhões de dólares de fundos soberanos, congelados por ordem da NATO e da União Europeia, quando o regime líbio foi apeado e o país entregue ao caos do terrorismo islâmico em que se encontra.
No seu posto de secretário-geral da NATO, putativo consultor internacional da Goldman Sachs e intrépido guerreiro neoliberal, Anders Fogh Rasmussen agiu como gestor do “trabalho de Deus” tal como o encara o seu patrão, Lloyd Blankfein. Um trabalho que Rasmussen definira programaticamente como o de “levar a paz e a prosperidade à Europa”. Ignoro se com estas palavras estaria apenas a antecipar-se à proliferação de muros e vedações com que a Europa se barrica contra os efeitos das guerras levadas a três continentes por NATO, Rasmussen & Cia, ou se admitia profeticamente a multiplicação de governos e bandos nazis na mesma Europa, ou ainda se olhava, como adivinho, actos tão importantes para a “paz e a prosperidade” como a chacina, à entrada da Hungria, de dezenas de refugiados escondidos num vagão automóvel, provavelmente às mãos de esbirros fascistas.
Alguns investigadores, por certo mal intencionados, concluíram por A+B que a Goldman Sachs e seus comparsas governam o mundo. Que exagero! Tudo não passa de mais uma teoria da conspiração.
 

terça-feira, 11 de agosto de 2015

AGRESSÃO QUE NÃO ACABOU


 

Quarenta anos depois de terem sido escorraçadas do solo vietnamita, levando consigo um escabroso Nobel da Paz atribuído a um fabricante de ditadores chamado Henry Kissinger, as tropas imperiais continuam a matar. Os sinais da agressão terrorista dos Estados Unidos da América contra o povo do Vietname, cometida no âmbito da cruzada permanente supostamente para expurgar o comunismo da face da Terra, ainda estão vivos – não apenas na memória dos que a sofreram, mas na carne e no sangue de milhares e milhares de pessoas que nascem hoje, muito depois do auge da tragédia.
Tal como aconteceu em Hiroxima e Nagasaki, a arrogância, a insensibilidade e a desumanidade dos exércitos imperialistas deixaram mecanismos de morte com efeitos contínuos, de origem atómica nos casos do Japão e de acção química no caso do Vietname. Neste país, onde o exército norte-americano abriu vias para as suas ofensivas à força de napalm, cujas nuvens de chamas cremaram todas as formas de vida por décadas e décadas em extensas áreas territoriais, milhares de crianças continuam a nascer com malformações, problemas neurológicos e cancerígenos devido aos efeitos da dioxina decorrentes de um outro exercício de extermínio: neste caso, o cometido com recurso ao chamado agente laranja – aliás um herbicida que multinacionais continuam a comercializar alegando, e mentindo, que está livre de agentes nocivos para a vida humana.
De acordo com dados norte-americanos, as tropas enviadas por Washington para o Vietname lançaram 80 milhões de litros de agente laranja contaminados com 400 quilos de dioxina só em cinco anos da invasão, que se prolongou por 14 anos. Usado para destruir florestas e todo o tipo de vida que elas protegem, o agente laranja causou danos irreparáveis que funcionam ainda hoje como uma catástrofe em todo o Vietname e, acima de tudo, liquidou, afectou e continua a atingir milhões de vidas humanas através dos seus efeitos prolongados. Fontes de Washington pretendem explicar, de modo recorrente, que o uso do agente laranja não se destinava a atingir vidas humanas, mas sim a desfolhar florestas onde se acoitavam “os terroristas”. A coisa só correu mal, dizem, porque devido às pressões da guerra foi preciso recorrer a agente laranja de “purificação imperfeita”, pelo que a contaminação com dioxina provocou – onde é que já ouvimos isto? – “danos humanos colaterais”.
As vítimas vietnamitas do agente laranja formaram uma associação através da qual pretendem que o mundo conheça esta realidade tão escondida pelos canais da propaganda mundial, exigindo ainda que os autores da chacina e seus herdeiros políticos e militares assumam a responsabilidade por esses crimes de guerra e contra humanidade – com os quais nenhum tribunal internacional, em Haia ou qualquer outro lugar, parece disponível para se sobressaltar. Até agora, como é de esperar da mentalidade que governa a América e o mundo, não há responsabilidades a assumir. Se o napalm e o agente laranja continuam a matar quarenta anos depois, o azar é das vítimas.
Ironia do destino: em tempos, uma associação de veteranos de guerra dos Estados Unidos levantou uma acção legal em defesa de soldados que participaram na invasão do Vietname e foram também contaminados pela dioxina. Um acordo que previa indemnizações de 93 milhões de dólares foi invalidado em último recurso por uma sentença determinando que “não existe qualquer base legal” que sustente as alegações das vítimas, tanto em termos domésticos como nas leis internacionais.
As acções de extermínio cometidas pelas tropas imperiais contra o povo do Vietname, com a agravante de continuarem através de efeitos retardados, estão ao nível dos maiores crimes contra a humanidade que a História regista. Ao contrário dos conceitos defendidos pelo Nobel da Paz e criminoso de guerra Henry Kissinger, separando ditadores bons dos maus, também não existe terrorismo bom ou mau: há terrorismo. De que a invasão norte-americana do Vietname foi e continua a ser um exemplo.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

O IMPÉRIO ENTRA A GANHAR


Os anexos bilaterais do chamado acordo 5+1 estabelecido entre as principais potências mundiais e o Irão já começaram a fazer efeitos.
Não, nada disso, os êxitos militares contra os facínoras do Estado Islâmico (ou Isis ou Daesh) obtidos no âmbito da esfera norte-americana são apenas conjunturais ou mitigados, nada que impeça o grupo de prosseguir a transferência para zonas russas ou russófonas. Existem, é certo, algumas ideias negociais relacionadas com a pacificação da Síria; no Líbano movem-se pedras no sentido de clarificar o assassínio do anti presidente Hariri, cuja inspiração foi atribuída – contra todas as evidências – ao regime de Damasco e que tem sido o único pretexto para acusar a Síria da prática de terrorismo. No entanto, estes processos estão ainda no início e, embora inseridos no ambiente criado pelos acordos, não é certo que prossigam no sentido de acabar com as mistificações e fazer valer a realidade dos factos e o direito internacional.
O primeiro grande efeito do acordo Estados Unidos-Irão é a queda do Sul do Iémen, com a capital em Aden, nas mãos da chamada Força Árabe Comum, uma entidade que é, na prática e à luz entendimento entre Washington e Teerão, uma coligação militar encabeçada pela Arábia Saudita e Israel. Esta “santa aliança” – e como é apropriada a designação! – não é novidade: tem funcionado, por exemplo, no apoio ao Estado Islâmico contra a Síria e pelo desmantelamento do Iraque; sabe-se também que pilotos israelitas combatem aos comandos de caças sauditas na guerra civil no Iémen.
O facto é que esta coligação tomou conta de Aden, expulsando os xiitas fiéis a Mohamed Huti, presidente em exercício em Sanaa, a capital. Na sequência do triunfo, a coligação reinstalou Abd Mansour Hadi como presidente, para já na capital do Sul do país. E se Huti chegara ao poder por golpe de Estado a legitimidade de Hadi – o protegido da Arábia Saudita – não é maior, porque o prazo de validade do seu mandato terminou há muito.
A presença da Força Árabe Comum no Sul do Iémen significa a reinstalação da NATO na região, assumindo o controlo absoluto do estratégico Estreito de Bab el Mandeb, que separa a Península Arábica e a Ásia de África. Esse controlo quer dizer domínio militar e petróleo, muito petróleo, não apenas no Sul do Iémen mas também na região do Ogaden, na Etiópia.
Não se pense, porém, que o triunfo militar da santa aliança se deve aos seus muitos méritos. A razão principal é a saída de campo do Irão, que sustentava os xiitas Hutis na guerra civil iemenita. Teerão abandonou o terreno para cumprir o acordo estabelecido com Washington.
A chegada da coligação entre a Arábia Saudita e Israel à região meridional iemenita significa também que já não existem obstáculos para que a petroditadura de Riade e o regime confessional de Telavive transformem em realidade o projecto de construção da ponte sobre o estreito, ligando Aden a Djibuti, no extremo do Corno de África, na prática uma colónia francesa sob administração militar da NATO, logo norte-americana.
A adjudicação da imponente obra já foi feita. Ignora-se se houve concurso, mas isso são formalidades dispensáveis e irrelevantes. Quem construirá a ponte sobre o Estreito de Bab El Mandeb será o Ben Laden Group da Arábia Saudita. Não, não se trata de uma coincidência: é o grupo da família de Bin Laden, o terrorista-mor, dirigido por um irmão deste. 11 de Setembro? Tanta água passou já por debaixo das pontes, mesmo as que ainda estão por construir…
O marcador apenso ao acordo entre os Estados Unidos e o Irão já funcionou. Império, 1 – Irão, 0.


segunda-feira, 1 de junho de 2015

JUNHO ANUNCIA-SE SANGRENTO


 
O mês de Junho anuncia-se sangrento na arena internacional. É um mês decisivo para os senhores da guerra de vários matizes, que tentarão ganhar e definir posições ainda antes da assinatura do acordo dito de prevenção nuclear a assinar no dia 30 entre os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irão sob a batuta do presidente Hassan Rohani.
O acordo, em si mesmo, fecha uma história batoteira que serviu para alimentar sanções e outras medidas de isolamento do Irão, sobretudo para conter a sua influência regional até que o regime de Teerão se “moderou”. Qualquer dirigente norte-americano, mesmo os que não o admitem, sabe que o Irão não tinha qualquer projecto nuclear militar na manga, o seu objectivo estratégico através da energia atómica é meramente civil. O regime iraniano pretende gerir as suas riquezas petrolíferas da maneira que melhor entende, de forma a não depender energeticamente apenas delas. É importante recordar, a propósito da enorme mentira mundial que foi a possível “bomba atómica” do Irão, o decreto religioso emitido em 1988 pelo líder histórico da revolução, o ayatollah Khomeiny, proclamando a renúncia da República Islâmica à utilização da energia atómica com fins militares.
O que significa então o acordo a assinar em 30 de Junho, negociado em segredo nos últimos dois anos entre Washington e Teerão, em paralelo e muitas vezes à revelia das chamadas conversações 5+1 na Suíça? Significa que Estados Unidos e Israel, por um lado, e o Irão, pelo outro, vão partilhar esferas de influência no Médio Oriente estabelecendo, de certa maneira, um novo mapa da região. Escreveu-se Israel, mas sabe-se que o primeiro-ministro Netanyahu está contra este arranjo, uma vez que ele traduz, se funcionar, uma possível rejeição norte-americana do projecto de Grande Israel. Este ponto levanta uma série de interrogações sobre o futuro do governo de Netanyahu recém-constituído, ao qual a administração norte-americana não parece agora disposta a facilitar a vida.
O acordo entre Washington e Teerão formaliza a rejeição, pelo Irão, do uso da energia atómica para fins militares, a renúncia à “exportação da revolução islâmica” e, em contrapartida, determina o levantamento das sanções internacionais contra a República Islâmica. O Irão conservará as suas esferas de influência na Síria, no Líbano, no Iraque e a questão palestiniana deverá regressar aos objectivos de Oslo; os Estados Unidos e Israel reinarão sobre uma grande aliança no Golfo acrescida do Egipto, que assentará num eixo militar entre Israel e a Arábia Saudita, cuja existência é cada vez mais nítida. A administração Obama não se compromete, porém, a garantir preto no branco a sobrevivência das actuais monarquias corruptas, o que se percebeu através do meio fracasso da recente cimeira das ditaduras realizada em Washington.
Os Estados Unidos pretendem, através dos arranjos com o Irão, estabilizar a situação no Médio Oriente de maneira a transferirem para a Ásia grande parte dos efectivos afectados actualmente à região. A estratégica asiática, de maneira a fazer frente à China e à Rússia, é agora o principal objectivo imperial e por isso está a nascer no sultanato do Brunei a maior base militar norte-americana e mundial.
Na perspectiva do acordo a assinar no dia 30 desenvolvem-se agora intensas operações militares buscando a conquista de posições que, muito hipoteticamente, ficariam congeladas nesse dia. Daí o recrudescimento da ofensiva israelita-americana-europeia em território sírio, de que é exemplo a conquista em dois dias, pelos terroristas do Estado Islâmico, de duas das principais cidades da Síria e do Iraque, Palmyra e Ramadi. Salta aos olhos que o Estado Islâmico faz parte da estratégia norte-americana e israelita para a fase que se segue à assinatura do acordo. Alguém acredita que um grupo terrorista alegadamente sujeito, há vários meses, a uma campanha de bombardeamentos aéreos norte-americanos mantenha vitalidade para lançar uma bem sucedida ofensiva, e logo em duas frentes? A guerra ocidental contra o Estado Islâmico é falsa porque este grupo, sustentado logisticamente também por Israel, faz parte dos arranjos territoriais em curso.
A guerra pela conquista de posições antes de dia 30 vai marcar todo o mês de Junho. Daí falar-se também, cada vez mais insistentemente, na possível criação de um Estado Curdo no Curdistão iraquiano patrocinado pelos Estados Unidos, Israel, e tolerado pelo Irão.
Os arranjos existem no papel, o que não quer dizer que funcionem. O mais provável é que não funcionem, como demonstra toda a história do Médio Oriente desde os acordos entre o Reino Unido e a França (Sykes-Picot) a seguir à Primeira Guerra Mundial. As variáveis são mais que muitas, a começar pelo facto de a administração Obama estar em fim de carreira e em Israel existir, embora mais frágil que anteriormente, um governo que fará tudo para minar o entendimento entre Washington e Terrão. Acresce que a proliferação de grupos terroristas islâmicos e o estado de degradação a que chegaram as situações na Síria, no Iraque, no Iémen e a questão palestiniana não se compadecem com geometrias diplomáticas, mesmo que parecessem realistas e aplicáveis – o que nem sequer é o caso. Não é certo, sequer, que depois de assinado o acordo a propaganda global silencie as mentiras sobre a opção nuclear militar iraniana.