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terça-feira, 12 de janeiro de 2016

GRUPOS NAZIS INTEGRADOS NA NATO


 
 

Membro da Guarda Nacional da Ucrânia (foto AP)
Dezembro de 2015. A NATO e o governo instalado em Kiev pelas principais potências da aliança e da União Europeia anunciaram o “roteiro” para a integração da Ucrânia na organização militar comandada operacionalmente pelo Pentágono. O cerco europeu da Rússia pelas forças armadas às ordens dos interesses económicos, financeiros e militares dos Estados Unidos da América aperta-se; e quando se diz cerco está a falar-se de um passo fundamental de uma estratégia de guerra.
A palavra “roteiro” é enganadora, especialmente neste caso. Faria supor que ainda existem algumas etapas e percorrer para que a integração seja plena. Não é isso que acontece: falta apenas anunciar a adesão, na sequência de um “referendo” em relação ao qual as sondagens prevêem desde já um rotundo “sim”. Simples formalidades, portanto.
Antes que isso se concretize, o “roteiro” determina, desde já, a integração das forças armadas e da indústria militar da Ucrânia na estrutura da NATO – o que realmente interessa nestes casos. A partir de agora, afirma a Aliança Atlântica, a Ucrânia passa a ser “um dos mais sólidos parceiros da aliança, firmemente empenhado em realizar a democracia e a legalidade”.
Democracia, legalidade: duas palavras que dizem tudo sobre este acordo, que não passa da institucionalização de mais um protectorado político-militar da NATO e da União Europeia, a exemplo do que sucede no Kosovo, na Bósnia-Herzegovina e vem ocorrendo no Montenegro.
Quanto à democracia ucraniana, são muitos os exemplos de como é plena e vigorosa. O Partido Comunista acaba de ser ilegalizado, os símbolos comunistas proibidos, o acto de cantar a Internacional é punido com cinco a dez anos de prisão, jornalistas são assassinados por esquadrões da morte, foram encerrados dezenas de jornais, milhares de websites. No país onde foram reabilitados os carniceiros que colaboraram nas chacinas cometidas pelas tropas de Hitler, a área de defesa e de segurança é agora dirigida pela componente governamental nazi, escondida nas várias máscaras do Sector de Direita, da União Patriótica e dos grupos de assalto do tipo SA hitleriano, dos quais o mais conhecido é o Batalhão Azov.
O “roteiro” estabelece, portanto, a integração de forças organizadas nazis na estrutura militar da NATO, para defesa da “democracia” e da “legalidade”. No fundo, trata-se da formalização de uma cooperação que existe há muito. Em 2006, por exemplo, grupos de jovens ucranianos que vieram a destacar-se nos dias de terror na Praça Maidan – quando foi declarada a “libertação” do país – foram treinados em práticas terroristas numa base da NATO, na Estónia. Também não é novidade que centenas de instrutores da 173ª divisão aerotransportada da NATO, colocada em Vicenza, Itália, se deslocaram à Ucrânia para treinar os bandos nazis integrados na Guarda Nacional criada pelo novo regime. O assunto nem sequer é tabu para os súbditos da NATO em Kiev. Há menos de um ano, num programa da TV alemã, o embaixador do regime ucraniano em Berlim, Andriy Melnik, explicou que grupos neonazis como o Batalhão Azov, o Batalhão Donbass e o Sector de Direita integram de facto a Guarda Nacional, e com pleno direito, uma vez que sem eles o exército russo tinha chegado muito mais longe.
Teorização que nos leva da democracia para a legalidade subjacente à integração de Kiev na NATO. Sendo a Ucrânia um país em guerra civil, decorrente da limpeza étnica e cultural que o regime tenta efectuar nas regiões de língua russa, supõe-se que a integração da estrutura militar ucraniana na NATO terá como objectivo completar esse trabalho. Ou seja, a NATO achar-se-á dotada da “legalidade” para levar o poder de Kiev a todo o país, procurando dizimar a oposição dos ucranianos que têm o direito democrático de resistir às transformações arbitrárias impostas à sombra do golpe da Praça Maidan, na Primavera de 2014. Uma limpeza étnica que começou, aliás, com o massacre na Casa dos Sindicatos de Odessa, em 2 de Maio de 2014, cometido pelos bandos de assalto nazis – hoje na Guarda Nacional – massacre esse a que as estruturas dominantes no mundo fizeram vistas cegas e orelhas moucas.  
Hordas nazis integradas na estrutura militar da NATO. Aquilo que durante décadas foi secreto, clandestino, conhecido como “Gládio” e outras designações, é hoje assumido à luz do dia, em nome da democracia e da legalidade. E dirigentes da União Europeia curvam-se perante os avanços do fascismo, até em países que sofreram este regime na carne. Matteo Renzi, primeiro ministro de Itália que dizem ser “de esquerda”, saúda o presidente golpista ucraniano, Piotr Poroshenko, pela sua “sábia liderança”. Não há maior facilitadora do triunfo dos porcos que a prosápia amnésica dos irresponsáveis.

sábado, 26 de dezembro de 2015

SANÇÕES A QUEM COMBATE O TERRORISMO



Os Estados Unidos da América e os dirigentes da União Europeia, conhecidos estes pelo seu comportamento pavloviano salivando às sinetas Washington, decidiram reforçar as sanções económicas contra a Rússia. Só porque sim, por causa das coisas na Ucrânia, da reintegração da Crimeia na Rússia, da resistência das populações russófonas às limpezas étnicas em curso no Leste do país, enfim mais sanções por nada de novo.
Por isso, quando, por exemplo, os agricultores da União Europeia, portugueses incluídos, decidirem protestar contra a crise agravada pelas restrições impostas à importação dos seus produtos pela Rússia, deverão antes virar-se contra as decisões canhestras e anti económicas adoptadas pelos seus próprios governos.
Retomando o fio à meada das novas sanções à Rússia, observemos o contexto temporal e factual em que foram agravadas. Por exemplo, a multinacional norte-americana de sondagens Gallup dedicou-se a auscultar as opiniões dos ucranianos sobre o governo criado em Kiev, e as conclusões não poderiam ser mais incómodas para os adeptos da “revolução da Praça Maidan”, entre os quais se encontram mui progressistas eurodeputados e eurodeputadas. Nove em cada dez dos ucranianos ouvidos consideram que os níveis governamentais de corrupção são hoje muito mais elevados; e a popularidade do “rei do chocolate” Poroshenko, que usurpou a chefia do Estado, fica-se pelos 17%. Yakunovich, o presidente deposto pelo golpe, teve um mínimo de popularidade de 23%, e foi no auge da campanha de propaganda visando denegri-lo e afastá-lo.
Reconhece a Gallup que poucos são os ucranianos que ainda chamam “revolução” ao que se passou – assim o ordena a propaganda oficial - preferindo qualificá-lo como o que realmente foi: um golpe. A empresa de sondagens não incluiu perguntas sobre a crescente influência nazi no governo do país – a tanto não se atreveu – mas quanto a isso basta a realidade conhecida, é desnecessário produzir inquéritos. A realidade integra também uma temível bomba de relógio para a humanidade, que são as diligências de Obama e da NATO para instalar armas nucleares na Ucrânia, isto é, na fronteira com a Rússia. Quando qualquer coisa de semelhante aconteceu – o dirigente soviético Krustchev procurou instalar mísseis nucleares nas imediações dos Estados Unidos, em Cuba, em 1962 – o mundo esteve a beira de uma guerra entre as duas grandes potências.
Alarguemos um pouco mais o contexto das novas sanções norte-americanas e europeias à Rússia. Foram decididas durante uma das mais eficazes semanas da guerra da Rússia e do exército sírio contra o chamado Estado Islâmico, ou Isis, ou Daesh. Nos últimos sete dias a aviação russa na Síria fez 302 saídas, destruiu 1093 alvos terroristas em províncias estratégicas como Alepo e Hama, um extenso campo de treino de mercenários oriundos principalmente da Turquia e de Estados da antiga União Soviética, duas refinarias de petróleo, três áreas de extracção e dezenas de estações de abastecimento de combustíveis, além de veículos transportando terroristas e armas pesadas. As acções da aviação russa permitiram ao exército sírio reconquistar território e um aeroporto militar. As notícias do mesmo período são omissas quanto a danos provocados aos terroristas pela famosa “coligação militar” norte-americana, europeia e saudita. Porventura a eficácia terá sido zero: há períodos assim…
Em boa verdade, o tempo não chega para tudo: ou se fazem operações anti terroristas ou se organizam laboriosos conclaves sobre sanções a aplicar aos que fazem o favor ao mundo de combater o terrorismo. A famosa “coligação das democracias” deu prioridade às sanções. Ela lá sabe: o combate ao terrorismo pode esperar.
 

domingo, 18 de outubro de 2015

A VERDADE DA MENTIRA


Orifícios de balas e não a acção de um míssil
A comissão de inquérito institucional ao derrube na Ucrânia do avião malaio que fazia o voo MH17, em 17 de Julho de 2014, anunciou finalmente o que toda a gente já sabia desde o primeiro momento: que o aparelho, com 300 pessoas a bordo, foi abatido por um míssil russo Bulk, operado por serviços especiais russos.
O que poderá não passar de uma grandessíssima peta tornou-se verdade oficial. Não é a primeira vez que isso acontece à escala da propaganda global, e provavelmente não será a última.
As conclusões da comissão de inquérito, de inspiração holandesa e apadrinhada pela NATO e os principais governos desta aliança, esfumam de uma penada todos os indícios susceptíveis de responsabilizar o governo fascista de Kiev pela tragédia. Através de supostas reconstituições informáticas – como se os computadores não respondessem em função dos dados que lhes são fornecidos – desapareceram de cena os aviões Sukhoi ucranianos que escoltaram o Boeing malaio alguns segundos antes de este ser abatido; os orifícios redondos observados na fuselagem, na zona do kokpit, eclipsaram-se da investigação, o que não é de somenos porque remetiam para disparos realizados pelos citados caças Sukhoi; as manipulações fotográficas baralhando tempos e espaços e que serviram de sustentação à tese do míssil transformaram-se em documentos credíveis; as informações dos controladores de voo em serviço em Kiev no momento da tragédia, e que deram conta da presença dos caças Sukhoi e também de um suspeitíssimo desvio de rota indicado ao aparelho, por sinal para um corredor perigoso por causa da guerra civil, foram ignoradas no processo de inquérito.
Enfim, não se fez um inquérito; por artes mágicas, montou-se um quebra-cabeças de supostos dados fidedignos para alcançar o resultado anunciado pelas autoridades de Kiev poucos segundos depois do derrube do avião. De facto, o senhor Anton Gerashenko, um figurão nazi que serve de conselheiro ao ministro ucraniano do Interior, Arsen Avakov, revelou em cima do acontecimento que o avião fora derrubado por um míssil russo Bulk. E fê-lo no momento em que forças especiais do mesmo ministério, manipulado pelo aparelho neonazi ucraniano, tomaram conta da torre de controlo do aeroporto de Kiev e passaram a filtrar todas as informações sobre o sucedido. O assalto da torre pelos comparsas fascistas não provocou qualquer constrangimento aos inquiridores oficiais, pelo contrário, deve ter-lhes facilitado o trabalho para engendrarem uma conclusão que já conheciam quando iniciaram a produção da mentira.
A criação e o funcionamento da comissão institucional de inquérito não passou de um pró-forma com o objectivo de dar credibilidade a uma teoria que não resistiria ao mais elementar contraditório, se este contraditório fosse possível e não esbarrasse numa sinistra barragem de mistificação.
A utilidade de tal comissão não se resume, neste caso, ao que atrás ficou escrito. O seu papel foi apurado através do momento escolhido para anúncio dos resultados, precisamente aquele em que as forças armadas russas tomam a seu cargo, praticamente sozinhas, o desmantelamento do grupo de facínoras que dá pelo nome de Estado Islâmico. Não é por acaso que Anton Gerashenko, o citado conselheiro do ministério do Interior de Kiev, acaba de incentivar o mesmo Estado Islâmico a lançar uma “guerra santa” contra os russos onde quer se encontrem. Os amigos dos nossos amigos nossos amigos são: sendo a NATO unha e carne com o governo fascista de Kiev é natural que este sinta afinidades com o Estado Islâmico, ainda há poucos dias contemplado com lançamentos de reforços de armas feitos por aviões norte-americanos. Não com destino ao Estado Islâmico, segundo a versão oficial, mas para “as oposições sírias”. Conhecendo nós o histórico destes abastecimentos e o que vale uma versão oficial emanada de Washington e seus acólitos, que também podem ser holandeses como no caso do MH17, não nos faltam caminhos para entender a verdade destas mentiras.
Entretanto, no campo de batalha sírio os efectivos russos e o exército regular de Damasco prosseguem a tarefa antiterrorista, tendo como principal óbice, porém, a destruição das instalações petrolíferas através das quais o Estado Islâmico se financia alimentando um generoso mercado negro de hidrocarbonetos. Claro que estes proveitos seriam cortados se os terroristas não tivessem quem lhes compre o contrabando. Mas clientes não faltam, sobretudo Israel e as ditaduras do Golfo, que por sua vez assim alumiam faróis da democracia como são os países da União Europeia e da NATO.
 

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

O CASO DOS CADÁVERES ESCONDIDOS


Orifícios de metralhadora de um caça Sukhoi no assento do piloto do MH 17

Passou mais de um ano e os familiares das 298 vítimas mortais do derrube na Ucrânia do avião da Malaysian Airlines que fazia o voo MH17 continuam sem saber o que realmente se passou no dia 17 de Julho de 2014. A gravidade das circunstâncias vai muito além do simples desconhecimento, porque um pacto secreto estabelecido entre as potências encarregadas de fazer o inquérito oficial impediu as famílias das vítimas, incluindo a do piloto Wuan Amran, de observarem os cadáveres. A mulher de Amran relatou, em entrevista, que foi obrigada a identificar o corpo através de fotografia e recebeu ordens estritas do governo da Malásia para não abrir o caixão, apesar de o cadáver estar aparentemente intacto.
Que escondem os cadáveres das vítimas, designadamente o do piloto, que poderá ser chocante para os familiares e, por extensão, para a opinião pública mundial? Em muitos casos tal medida será mais do que justificada devido ao estado em que ficaram os corpos de numerosos passageiros; mas quanto ao de Wuan Amran, tendo em conta a fotografia mostrada à viúva e as informações que lhe foram prestadas por quem tratou o corpo, não existem razões para que a tradição e os desejos da família não fossem respeitados.
Conjugue-se esta medida com outros factos que têm vindo a ser recolhidos por entidades e personalidades independentes – isto é, que não tenham nada a ver com as imposições dos governos da Holanda e o da Ucrânia sediado em Kiev – e não será difícil perceber duas coisas: a manipulação dos dados do inquérito oficial para que seja apresentada uma versão final coincidente com as especulações iniciais emanadas de Washington, Kiev e Haia – culpando a Rússia e os russófonos do Leste da Ucrânia -; e a marginalização ostensiva das provas que têm vindo a ser reunidas pelos sectores independentes.
Entre as provas ignoradas pela comissão oficial, formada pelos governos da Holanda, Bélgica, Austrália e da Ucrânia (neste caso as correntes nazis resultados do golpe de 2014), incluem-se as mais esclarecedoras de todas: as que testemunham o derrube do avião civil por pelo menos um caça Sukhoi ucraniano que, segundo fontes diferentes e em momentos distintos da tragédia, foi referenciado junto ao aparelho abatido. Tal circunstância é comprovada pelos orifícios redondos nos restos da fuselagem do MH 17 – e agora também descobertos no assento do piloto Wuan Amran –, pelo relato de um controlador aéreo feito instantes depois do derrube e, mais recentemente, por um filme divulgado na Austrália por uma cadeia do grupo Murdoch (insuspeito neste caso) revelando a existência, entre os escombros, de restos não apenas do MH 17 mas também de um caça Sukhoi, este abatido pelos “rebeldes” ucranianos. As opiniões dos peritos independentes relacionadas com os orifícios nos restos da fuselagem e no assento do piloto são coincidentes: resultam de disparos de um caça e são incompatíveis com a versão inicial atribuindo a tragédia ao lançamento de um míssil.
Pode argumentar-se que o recente veto da Rússia à formação de um “tribunal” da ONU para este crime fragiliza a argumentação de Moscovo quando proclama inocência. A propósito, é importante associar-lhe uma faceta do caso omitida pela comunicação social sintonizada com as versões dos fascistas de Kiev: o mecanismo pretendido através da constituição do citado “tribunal” mais não seria do que a transposição do comportamento da comissão existente para o âmbito das Nações Unidas. Sendo que esta comissão funciona segundo um regimento absurdo: secretismo total dos seus membros e a garantia de que o governo fascista de Kiev tem veto sobre qualquer conclusão que venha a ser apurada para divulgação e que não esteja de acordo com as suas versões dos acontecimentos. A própria Malásia só foi admitida nessa comissão depois de ter subscrito o pacto secreto de silêncio e de submissão ao parecer final de Kiev. Nesse pacto inclui-se o relatório do médico legista holandês sobre a autópsia efetuada ao piloto Wuan Amran.
É fácil perceber porque este é um caso onde se escondem cadáveres e se descartam provas. Tão fácil como perceber como os direitos humanos e o direito internacional são tratados pelos que se proclamam paladinos dos direitos humanos e do direito internacional.
 

terça-feira, 2 de junho de 2015

NEONAZISMO À BEIRA DO NOBEL DA PAZ


 
Depois de Barack Obama, chega a vez de o regime neonazi vigente na Ucrânia poder vir a ser agraciado com o Prémio Nobel da Paz através da figura do seu presidente, o oligarca Piotr Poroshenko, entronizado através de eleições parciais e manipuladas.
Uma carta enviada pelo presidente do Parlamento de Kiev, Vladimir Groysman, à encarregada de negócios da Embaixada dos Estados Unidos em Oslo, Julie Furuta-Toy, agradece as pressões já realizadas sobre o Comité Nobel a favor do chefe da junta ucraniana mas adverte que a acção tem de continuar uma vez que, até agora, apenas dois dos cinco membros acataram as instruções norte-americanas para a escolha de Poroshenko. De acordo com a mesma carta, “aguardamos mais esforços no sentido de alterar as posições de Beirit Reiss-Anderssen, Inger-Marie Ytterhorn e especialmente do presidente do Comité Nobel, Kaci Kullmann Five”.
Nos termos da carta, que cita o envolvimento pessoal da subsecretária de Estado Victoria Nuland na operação, a atribuição do Nobel da Paz a Poroshenko será muito importante para garantir a “integridade da Ucrânia”, incluindo a reintegração da Crimeia, e também para a “democracia e a liberdade de expressão em todo o mundo”.
É verdade que o Nobel da Paz anda pelas ruas da amargura, de tal modo que o Parlamento Norueguês se viu forçado a destituir o anterior presidente do Comité, o ex-primeiro ministro Thorbjørn Jagland, por comprovada corrupção. Jagland, presidente do Conselho da Europa e um dos notáveis trabalhistas (sociais-democratas) noruegueses, foi relegado para a posição de membro do Comité e nessa qualidade – mostrando uma notável coerência e uma desafiadora contumácia – é agora um dos dois elementos que já se manifestaram pela atribuição do prémio a Poroshenko. O outro nessa situação é o conservador Kenrik Syse, do mesmo partido que Kulmann Five, o actual presidente do Comité, pelo que a formação da necessária maioria não é assim tão imprevisível.
É importante salientar que a intensificação das pressões no sentido de o Nobel ser atribuído a Poroshenko está associada a jogos internos de poder nos Estados Unidos da América desencadeados depois de o secretário de Estado, John Kerry, se ter encontrado em 11 de Maio com o presidente russo pedindo-lhe o envolvimento numa solução negociada da questão ucraniana.
Esta iniciativa de Kerry e Obama causou a ira dos neoconservadores, dos quais Victoria Nuland é a ponta de lança na Ucrânia, empenhados não apenas na sabotagem dos acordos de Minsk como no reforço das operações militares contra as populações do Leste e Sudeste do país. A carta contem uma sibilina insinuação segundo a qual a entrega do Nobel a Poroshenko poderá criar condições susceptíveis de evitar as manifestações de força que o regime de Kiev está pronto a desencadear contra as regiões de maioria russófona.
Poroshenko encabeça um regime instaurado por golpe de Estado, institucionalizado através de eleições fraudulentas e parciais, chefiado por uma junta de poder no qual os aparelhos militar e de segurança foram entregues a grupos nazis que se declaram herdeiros das correntes fascistas que colaboraram com as tropas de Hitler nas chacinas praticadas durante a ocupação alemã. O silêncio em torno dos resultados dos prometidos inquéritos reforça as suspeitas de envolvimento da junta de Kiev no derrube do avião malaio que fazia o voo MH17 com 300 pessoas a bordo, em 17 de Julho do ano passado. As operações repressivas realizadas pelas tropas ao serviço da junta no Leste e Sudeste da Ucrânia têm sido denunciadas como limpezas étnicas, em consonância, aliás, com os ideólogos nazis no poder que reclamam uma purificação da população do país. Além disso, a junta e o parlamento têm vindo a decretar a ilegalização de forças políticas da oposição, começando pelos comunistas, e a forçar o encerramento de numerosos meios de comunicação social. O presidente ucraniano assinou recentemente um decreto segundo o qual as organizações que colaboraram com Hitler são reconhecidas como “combatentes da liberdade”.
De descrédito em descrédito, o Nobel da Paz baterá, sem dúvida, no fundo se as pressões em curso sobre o Comité de Oslo resultarem e Piotr Poroshenko, um senhor da guerra, for o escolhido de 2015.
 

domingo, 17 de maio de 2015

AS “REFORMAS” NA UCRÂNIA ESTÃO EM BOAS MÃOS


 

Um ex-ditador fugido à justiça e um senador norte-americano ao mesmo tempo conselheiro do grupo de assassinos designado Estado Islâmico são as novas aquisições da equipa de conselheiros do chefe da junta ucraniana para as “reformas”. O foragido foi até elevado à posição de chefe do grupo, provavelmente porque o senador não terá disponibilidade integral devido aos seus múltiplos afazeres, o mais importante dos quais é transformar a Síria em qualquer coisa que se pareça com a Líbia actual.
Mikhail Saakashwilli, o antigo ditador da Geórgia, fugido à justiça no seu país e agora refugiado em Kiev, para não ter de enfrentar acusações de alta corrupção e de ataques a tiro contra manifestações democráticas, é um daqueles casos – cada vez mais frequentes sobretudo no Leste da Europa – de não se saber de que terra é, embora seja seguramente norte-americano, tal como a presidente da Croácia, a ministra das Finanças da Ucrânia, por exemplo. A exportação de agentes governamentais começa a consolidar-se como estratégia imperial.
Como existe acordo de extradição entre a Ucrânia e a Geórgia, o governo de Tblissi pediu a Kiev a captura e o envio do trânsfuga; mas como a junta ucraniana o que mais preza é a justiça, indeferiu a solicitação, certamente por considerar que o oligarca Poroshenko, a exercer funções de chefe de Estado, deposita muitas esperanças na capacidade “reformadora” do recomendado Saakashwilli.
Um pequeno parêntesis para recordar que o antigo ditador georgiano se distinguiu por mandar atacar a Ossétia do Sul sob administração russa enquanto decorria a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, acusando depois Moscovo de ter ordenado o assalto. Deu-se mal, mas ficou a perceber-se o seu conceito de “tréguas olímpicas”.
Quando ao senador norte-americano associado às “reformas” ucranianas é o ex-candidato presidencial John McCain, um verdadeiro cruzado globetrotter, também conhecido pelos seus laços íntimos com o terrorismo islâmico, uma espécie de controleiro ao serviço da CIA e do Pentágono e que tem no círculo de contactos o próprio chefe do Estado Islâmico, ou ISIS, ou Daesh.
A chancela de McCain ficou inscrita, aliás, nas origens da “nova” Ucrânia, pois esteve ligado ao golpe que levou a junta fascista ao poder, articulando tarefas com a subsecretária de Estado Victoria Nuland e o embaixador norte-americano em Kiev, Geoffrey Pyatt. Para a história ficaram os registos telefónicos nos quais Nuland explica a Pyatt quem são “os nossos homens” a instalar no governo – e eles lá entraram e lá continuam – e o aconselha a (to) “fuck the EU” (União Europeia). Apesar deste elegante tratamento da subsecretária, e que na altura suscitou alguns protestos nas chancelarias, a União Europeia continua a sustentar as manobras da senhora Nuland – um produto Bush-Cheney – e de McCain para que o regime nazi se consolide em Kiev sob a capa de democracia. Manobras essas que incluem agora a reabilitação do foragido Saakashwilli, há muito um agente provocador integrado na estratégia de Washington contra a Rússia.
Sobre o espírito das “reformas” a desenvolver pelo clã “reformador” que ampara Proshenko não seriam necessárias muitas explicações, os currículos dos envolvidos e a estratégia da junta nazi de Kiev falam por si. McCain, porém, não deseja que fiquem dúvidas nos espíritos seja de quem for. Assumindo desde logo e em pleno as funções de conselheiro, o senador recomendou a Poroshenko que não respeite os acordos com os representantes do Leste do país por ele assinados em Minsk, porque “consolidam os ganhos adquiridos pela agressão russa”. Sem surpresas, com tais “reformadores” a Ucrânia vai de mal a pior.