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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

NATO ANEXA PENÍNSULA BALCÂNICA


Distribuindo democracia desde 1949

A NATO, ou seja, o braço armado do império norte-americano, acaba de engolir mais um Estado europeu, o Montenegro, sendo que para abocanhar toda a antiga Jugoslávia faltam o que resta da Sérvia e a Antiga República Jugoslava da Macedónia.
Em termos formais, trata-se apenas de um “convite” dos falcões do Pentágono ao pequeno Estado banhado pelo Adriático e cercado pela Bósnia, a Sérvia, a Croácia e a Albânia, mas como o presidente montenegrino se declarou “orgulhoso” perante o chamamento este é um dos tais casos em que podem fazer-se prognósticos antes do fim do jogo, sem risco de errar. Com a inclusão do Montenegro na teia de bases militares imperiais formada pelos países da Aliança Atlântica, são já 12 as nações e regiões do antigo “mundo socialista”, com ou sem influência soviética, engolidas pelo expansionismo do Pentágono desde que a NATO ficou sozinha na arena mundial: Albânia, Croácia, Bulgária, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Letónia, Lituânia, Hungria, Polónia e República Checa – mais de 40 por cento do número de membros da estrutura. Não será exagero somar a esta lista os territórios da Bósnia-Herzegovina, do Kosovo, e da região Oeste da Ucrânia, simples protectorados da aliança.
Ouvindo os analistas que tudo sabem dir-se-á que o “convite” ao Montenegro é uma espécie de gesto generoso e de boa vontade dos generais da NATO para com um país minúsculo, montanhoso, economicamente dependente e sem qualquer interesse militar, a não ser representar mais uma espinha cravada nas gargantas da Rússia e da Sérvia. Talvez os estrategos se tenham esquecido de olhar os mapas, ou então fazem deles uma leitura descuidada. A integração do Montenegro fecha o Adriático como lago atlantista, facilita rotas entre o Mediterrâneo e a Europa Central e de Leste contornando agora a Sérvia, tal como já acontecia com a Macedónia (efeito do Kosovo), fecha o conjunto de países formado pela Grécia, Albânia, Montenegro, Bósnia, Croácia e Eslovénia como um arco da NATO. Em termos geoestratégicos liquida-se o que restava da antiga Jugoslávia a favor da aliança expansionista. Milhões de mortos e feridos depois, no seguimento de chacinas sanguinárias resultantes de guerras artificiais e induzidas a partir do exterior, a inclusão de facto do Montenegro na NATO é o passo decisivo para a anexação da Península Balcânica pelo insaciável atlantismo.
Tal como por exemplo o Kosovo – a quem países da União Europeia pedem agora que não sustente e não dissemine o jihadismo, manhoso eufemismo para não dizer terrorismo – o Montenegro de hoje tem tudo para ser membro da NATO. Não consta que o “orgulhoso” presidente Filip Vujanovic se prenda com o formalismo de organizar um referendo popular sobre o assunto, sobretudo depois do susto com a consulta sobre a independência, declarada em 2006 por meia dúzia de votos duvidosos depois de sucessivos adiamentos, por causa das sondagens desfavoráveis. Além disso, o regime escolheu o euro como moeda depois de ter usado o marco durante parte do período em que a Jugoslávia se fragmentou. Também a corrupção praticada pela casta dominante e o governo do primeiro-ministro Dukanovic, sobretudo o chamado “Escândalo Moldavo” – tráfico de mulheres com epicentro no território montenegrino – parece não incomodar os dirigentes atlantistas e dos Estados membros da democrática aliança. O que é natural em entidades que conhecem as actividades do vizinho e islamita Kosovo nos ramos do apoio ao terrorismo, tráfico de drogas e comércio clandestino de órgãos humanos, tudo a bem da liberdade e da democracia.
Não é difícil nem abusivo estabelecer paralelos entre o novo mapa dos Balcãs e o também designado “novo mapa” que membros da NATO, com os Estados Unidos à cabeça, procuram estabelecer no Médio Oriente. O desmantelamento e a destruição de países como o Iraque, a Líbia e a Síria reflecte o mesmo método usado contra a antiga Jugoslávia logo que ruiu o muro de Berlim: declaração de guerras artificiais sem olhar a meios, e muito menos à vida humana, para concretizar os fins da estratégia imperial de expansão e dominação. No Médio Oriente, Afeganistão incluído – onde a NATO deu o dito por não dito e decidiu agora manter 12 mil ocupantes -, o número global de mortos já atingiu quatro milhões; quatro milhões foi também o número de desalojados na antiga Jugoslávia, onde se registaram pelo menos 140 mil mortos.
Enfim, o combate “civilizacional” tem os seus danos colaterais, a tanto monta a defesa intransigente do “nosso modo de vida” assumido pela valente Aliança Atlântica de motu próprio, sem que os cidadãos sejam tidos e achados. O que aconteceu na Jugoslávia é disso uma lição de história moderna.  
 

segunda-feira, 25 de maio de 2015

COMO A CIA FALHOU NA MACEDÓNIA


O embaixador dos Estados Unidos com Fadil Fejzullahu, um dos terroristas mortos na intentona (Reseau Voltaire)
O golpe de Estado da CIA previsto para o passado dia 17 na Antiga República Jugoslávia da Macedónia foi desmantelado pelas forças governamentais quando já estava em andamento. É a segunda tentativa de mudança de regime fracassada pela ponta de lança do terrorismo de Estado norte-americano nos últimos meses, depois de o governo venezuelano ter feito abortar uma intentona fascista. Apesar dos insucessos, os acontecimentos revelam que as décadas passam e os Estados Unidos da América continuam a praticar a política de não olhar a meios para atingir os fins – instalar os seus agentes à cabeça de governos onde quer que seja.
O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, lamentou os acontecimentos na Macedónia e pediu uma investigação “transparente”. Aqui se registam alguns dados já confirmados, num quadro de rigor e transparência. No dia 17 de Maio esteve prevista em Skopje, capital da Macedónia ex-jugoslava, uma manifestação da minoria albanófona na qual seriam distribuídas duas mil máscaras entre os participantes, a entregar pelos organizadores, o Partido Social Democrata de Zoran Zaev. Durante o desfile, alguns desses mascarados atacariam edifícios de várias instituições e tentariam provocar uma “revolução” inspirada nos acontecimentos na Praça Maidan e que deixaram a Ucrânia no estado saudável em que se encontra.
O golpe falhou porque os serviços governamentais macedónios conseguiram deter, em 11 de Maio, a infiltração do comando terrorista que, sob o disfarce das máscaras, iria lançar os ataques durante a manifestação. Todos os principais chefes do comando foram figuras destacadas do UCK, o grupo terrorista islâmico e albanófono a quem a NATO e a União Europeia entregaram o território do Kosovo arbitrariamente amputado à Sérvia. Um dos comandos foi identificado como sendo Rijai Bey, antigo membro da segurança de Ramush Haradinaj, traficante de drogas, antigo chefe militar do UCK e ex-primeiro ministro do Kosovo. Haradinaj compareceu duas vezes perante o tribunal dos crimes na antiga Jugoslâvia e foi absolvido em ambos os casos: durante os processos foram assassinadas nove testemunhas consideradas fundamentais.
A infiltração foi contida pelas forças governamentais durante um confronto no qual morreram 14 terroristas e oito membros dos serviços macedónios. Salomonicamente, o secretário-geral da NATO manifestou “simpatia” pelas famílias de todas as vítimas, abstendo-se de condenar o terrorismo e de manifestar apreço pelo facto de a legitimidade governamental ter prevalecido.
Porém, Washington e o seu embaixador em Skopje, Paul Wohlers, não vão desistir porque na Macedónia se joga também a guerra energética declarada contra a Rússia.
O expansionismo albanês na região, com o apoio da NATO e da União Europeia, é um combustível importante para objectivos como este. O mapa da Grande Albânia, com a integração do Kosovo e de parte da Macedónia, continua afixado nos gabinetes dos chefes de Tirana. Trata-se de uma estratégia a prazo e que, neste caso, serviu interesses mais imediatos. Através do golpe, de que já tinha havido sinais em Janeiro, os Estados Unidos tentaram frustrar a concretização do gasoduto alternativo ao South Stream, que Washington sabotou ao forçar a Bulgária a retirar-se.
Putin não desistiu e em Dezembro do ano passado convenceu a Turquia de Erdogan a colaborar numa alternativa; seguiu-se o acordo do novo governo grego de Tsipras e da Macedónia, negociado em Março. A Sérvia decidiu transitar do falhado South Stream para a nova alternativa e, com isso, passou a sentir os efeitos de novas pressões pela secessão da Voivodina. O novo projecto de gasoduto permitirá à Turquia distribuir gás russo através da Europa, contornando o embargo internacional decretado pelos Estados Unidos. Percebe-se pois, como absoluta “transparência”, talvez não a desejada pelo senhor Stoltenberg, onde queria chegar o “mundo civilizado” com esta tentativa de golpe na Macedónia. Outros capítulos se seguirão pois se dizem que Deus não dorme, Washington também não.