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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

A HORA DA VERDADE, SR. OBAMA


 

O início das operações militares antiterroristas das forças da Organização do Tratado de Segurança Colectiva (OTSC), de que a Rússia é a mais importante potência, em território da Síria representa, sem dúvida, um movimento novo e de grande importância no combate às organizações mercenárias que se reclamam do islamismo.
Em termos meramente teóricos poderia escrever-se que só agora começou a verdadeira guerra contra o terrorismo na Síria, e provavelmente também no Iraque; o que tem acontecido até ao momento, pelas mãos dos Estados Unidos e dos principais membros da União Europeia, não passa de um simulacro de combate, à mistura com a proliferação de guerras e alianças com terroristas, culminando na destruição de nações e na hecatombe dos refugiados.
Porém, a resposta de Washington, Paris e Londres aos primeiros bombardeamentos russos contra campos terroristas na Síria revela intrigante inquietação com a situação dos bandos de mercenários. Em vez de saudarem a iniciativa de Moscovo, os porta-vozes norte-americano, britânico e francês que se pronunciaram até agora lamentam que, afinal, ao contrário do que alegadamente dissera o Sr. Putin, os bombardeiros russos não atingem apenas o Estado Islâmico. Pois não: infligiram pesados danos a outros grupos e grupinhos terroristas que partilham o mesmo terreno, designadamente a Frente Al-Nusra e o Exército Livre Sírio. Al-Nusra é a designação da Al-Qaida na Síria; o Exército Livre Sírio é o menino bonito das potências ocidentais, os chamados “moderados” que, conforme reconhecem dirigentes norte-americanos e da União Europeia, têm funcionado como entreposto no tráfico de armas fornecidas pelo Ocidente ao Estado Islâmico.
De modo que se coloca neste momento uma grande interrogação: de que lado estão os Estados Unidos, a França e o Reino Unido, e a Alemanha também? A favor ou contra grupos como a Al Qaida e Estado Islâmico? Por detrás dos primeiros pronunciamentos dos dirigentes ocidentais depois dos ataques russos, o que espreita é uma real inquietação com o novo quadro: a de que, a partir de agora, não mais será possível fazer confusão entre quem está a favor ou contra o terrorismo. Por exemplo, fica decretado o fim da falácia alimentada por Washington – e pela NATO, como é óbvio - de que as iniciativas atlantistas na região visam combater ao mesmo tempo o regime sírio e os bandos terroristas. A única vítima, claro, tem sido Damasco.
A confissão deste incómodo está no facto de as potências ocidentais acusarem a Rússia de fazer os bombardeamentos na Síria para defender “a ditadura de Bachar Assad”. Mais uma falsidade: a Rússia não está a defender Assad mas a proteger-se a si mesma. Há muito que o Estado Islâmico e outras Al-Qaidas se estão a organizar para, em aliança com o Qatar, a Turquia e centrais nazis europeias, desestabilizar e minar a Rússia, sobretudo a partir da Ucrânia. Foi na Ucrânia, em Ternopol, que nasceu em 2007 a “Frente-Anti-imperialista” contra a Rússia, mistura de grupos nazis e terroristas islâmicos cujos dirigentes são recebidos com grandes honras pelo presidente Erdogan na Turquia. Como resultado desse patrocínio da Turquia fundamentalista (membro da NATO, como se sabe), está a instalar-se em Kherson, também na Ucrânia, a Brigada Muçulmana Internacional, cujo objectivo é a desestabilização da Rússia a pretexto da Crimeia e apoiando o terrorismo islamita no Cáucaso, especialmente na Chechénia. Não é segredo que militares norte-americanos e a NATO apoiam e treinam em território ucraniano todas as organizações que proclamem a intenção de combater a Rússia.
A Rússia não está na Síria, e prestes a intervir também no Iraque, para defender os governos destes países mas para combater o terrorismo, com autorização dos seus governos e sob cobertura das decisões aprovadas na ONU contra o terrorismo – legalidade que nem sempre tem preocupado os que agora preocupados estão com a iniciativa russa.
Uma coisa parece certa: se as forças da OTCS (Rússia, Bielorrússia, Arménia, Casaquistão, Tajiquistão e Quirguistão) e os poderes militares dos principais países da NATO se juntarem contra o terrorismo, o Estado Islâmico, as Al-Qaidas e afins não terão vida fácil, provavelmente não conseguirão transferir-se para outros lados, talvez percebam finalmente que, sem os habituais tutores entre “os infiéis”, nem sobreviverão.
Parece ter chegado a hora da verdade na tão falada “guerra contra o terrorismo”. É o momento de o Sr. Obama se definir: ou luta de facto contra o terrorismo ou continua a ser seu cúmplice, no mínimo através de uma guerra que tem sido de faz-de-conta. Talvez a chegada deste momento da verdade seja aquilo que o Sr. Obama não consegue perdoar ao Sr. Putin. As coisas estavam a correr tão bem…

terça-feira, 2 de junho de 2015

NEONAZISMO À BEIRA DO NOBEL DA PAZ


 
Depois de Barack Obama, chega a vez de o regime neonazi vigente na Ucrânia poder vir a ser agraciado com o Prémio Nobel da Paz através da figura do seu presidente, o oligarca Piotr Poroshenko, entronizado através de eleições parciais e manipuladas.
Uma carta enviada pelo presidente do Parlamento de Kiev, Vladimir Groysman, à encarregada de negócios da Embaixada dos Estados Unidos em Oslo, Julie Furuta-Toy, agradece as pressões já realizadas sobre o Comité Nobel a favor do chefe da junta ucraniana mas adverte que a acção tem de continuar uma vez que, até agora, apenas dois dos cinco membros acataram as instruções norte-americanas para a escolha de Poroshenko. De acordo com a mesma carta, “aguardamos mais esforços no sentido de alterar as posições de Beirit Reiss-Anderssen, Inger-Marie Ytterhorn e especialmente do presidente do Comité Nobel, Kaci Kullmann Five”.
Nos termos da carta, que cita o envolvimento pessoal da subsecretária de Estado Victoria Nuland na operação, a atribuição do Nobel da Paz a Poroshenko será muito importante para garantir a “integridade da Ucrânia”, incluindo a reintegração da Crimeia, e também para a “democracia e a liberdade de expressão em todo o mundo”.
É verdade que o Nobel da Paz anda pelas ruas da amargura, de tal modo que o Parlamento Norueguês se viu forçado a destituir o anterior presidente do Comité, o ex-primeiro ministro Thorbjørn Jagland, por comprovada corrupção. Jagland, presidente do Conselho da Europa e um dos notáveis trabalhistas (sociais-democratas) noruegueses, foi relegado para a posição de membro do Comité e nessa qualidade – mostrando uma notável coerência e uma desafiadora contumácia – é agora um dos dois elementos que já se manifestaram pela atribuição do prémio a Poroshenko. O outro nessa situação é o conservador Kenrik Syse, do mesmo partido que Kulmann Five, o actual presidente do Comité, pelo que a formação da necessária maioria não é assim tão imprevisível.
É importante salientar que a intensificação das pressões no sentido de o Nobel ser atribuído a Poroshenko está associada a jogos internos de poder nos Estados Unidos da América desencadeados depois de o secretário de Estado, John Kerry, se ter encontrado em 11 de Maio com o presidente russo pedindo-lhe o envolvimento numa solução negociada da questão ucraniana.
Esta iniciativa de Kerry e Obama causou a ira dos neoconservadores, dos quais Victoria Nuland é a ponta de lança na Ucrânia, empenhados não apenas na sabotagem dos acordos de Minsk como no reforço das operações militares contra as populações do Leste e Sudeste do país. A carta contem uma sibilina insinuação segundo a qual a entrega do Nobel a Poroshenko poderá criar condições susceptíveis de evitar as manifestações de força que o regime de Kiev está pronto a desencadear contra as regiões de maioria russófona.
Poroshenko encabeça um regime instaurado por golpe de Estado, institucionalizado através de eleições fraudulentas e parciais, chefiado por uma junta de poder no qual os aparelhos militar e de segurança foram entregues a grupos nazis que se declaram herdeiros das correntes fascistas que colaboraram com as tropas de Hitler nas chacinas praticadas durante a ocupação alemã. O silêncio em torno dos resultados dos prometidos inquéritos reforça as suspeitas de envolvimento da junta de Kiev no derrube do avião malaio que fazia o voo MH17 com 300 pessoas a bordo, em 17 de Julho do ano passado. As operações repressivas realizadas pelas tropas ao serviço da junta no Leste e Sudeste da Ucrânia têm sido denunciadas como limpezas étnicas, em consonância, aliás, com os ideólogos nazis no poder que reclamam uma purificação da população do país. Além disso, a junta e o parlamento têm vindo a decretar a ilegalização de forças políticas da oposição, começando pelos comunistas, e a forçar o encerramento de numerosos meios de comunicação social. O presidente ucraniano assinou recentemente um decreto segundo o qual as organizações que colaboraram com Hitler são reconhecidas como “combatentes da liberdade”.
De descrédito em descrédito, o Nobel da Paz baterá, sem dúvida, no fundo se as pressões em curso sobre o Comité de Oslo resultarem e Piotr Poroshenko, um senhor da guerra, for o escolhido de 2015.
 

quarta-feira, 20 de maio de 2015

O AMBIENTE DENTRO DA NATO É DE CORTAR À FACA


 
Acreditem que não exagero. No Quartel-General da NATO, em Bruxelas, o ambiente é de cortar à faca. Os políticos queixam-se dos militares e os generais estão com vontade de engolir vivos alguns políticos, com gravata e tudo, sendo Obama e John Kerry os primeiros da fila.
Lá para as bandas de Moscovo, caso saiba deste estado de espírito, e podem crer que sabe, quem dá gargalhadas sonoras é Vladimir Putin. A seriedade e o respeito histórico com que assinalou o 70º aniversário da rendição da Alemanha nazi devolveram-lhe trunfos internacionais com uma rapidez que talvez o surpreenda: a mesquinhez, a mistificação da realidade histórica e o culto da própria insanidade que guiaram os dirigentes norte-americanos e da Europa Ocidental nestes dias funcionaram como tiros nos pés de tal maneira eficazes que Putin e os que com ele estiveram a assinalar o Dia da Vitória nada mais tiveram que fazer do que ser fiéis ao espírito da data.
No Quartel-General da NATO, em Bruxelas, generais e muitos diplomatas não se conformam com as “reviravoltas” de Obama. “Obrigou-nos a fazer de conta que a Europa Ocidental teria derrotado Hitler mesmo que o Exército Vermelho não tivesse dado cabo da Wermacht, sabendo nós que isso é uma impossibilidade e uma falsificação da História, e logo a seguir manda Kerry pedir a Putin que colabore o mais depressa possível numa solução pacífica para a Ucrânia, como se não tivéssemos andado nos últimos 14 meses a alimentar grupelhos nazis na Ucrânia servindo de iscos para colocarmos a NATO em peso nas fronteiras da Rússia”, afirma um general, off the record, como compreenderão e num vernáculo que aqui se atenua um pouco. “Isto não é política, isto não é uma estratégia, é uma deriva”.
O que mudou nesse Dia da Vitória e que fez Obama mandar o seu secretário de Estado mendigar a Putin que o recebesse? Entre os generais que se cruzam em Bruxelas correm comentários pouco abonatórios para com o presidente dos Estados Unidos, à mistura com dichotes que soam a piadas de caserna.
“Obama acobardou-se com o desfile na Praça Vermelha”, garante o mesmo general. “E não é apenas porque ao lado de Putin esteve o presidente chinês enquanto à frente deles desfilavam armas que são para levar muito a sério”, acrescenta. “O facto de aquele desfile ter demonstrado a possibilidade de se juntarem militarmente os países mais extensos e populosos do mundo como são a China, a Índia e a Rússia assustou Obama”, disse o general, “fê-lo sentir a urgência de apostar tudo na sua estratégia de pivot asiático”.
Para isso é preciso dar parcialmente o dito por não dito na Ucrânia, envolvendo Putin na estabilização do país – isto é, passando a parceiro ocasional em vez de adversário a abater; e de tirar o mais depressa possível o proveito desejado do acordo com o Irão, a entrar em vigor em 30 de Junho, de modo a que grande parte do esforço militar norte-americano no Médio Oriente seja transposto para o Extremo Oriente.
O que provoca o mal-estar nas cúpulas da NATO não é tanto a correcção de rota que Obama e o Pentágono tentam fazer, mas sim a confirmação da advertência que muitos militares europeus fizeram em tempo útil de que o golpe e as medidas tomadas na Ucrânia estavam erradas de uma ponta à outra. Sendo que agora é muito mais difícil corrigir o erro, mesmo que haja vontade disso – o que não está ainda absolutamente garantido. “Soltaram-se os cães selvagens quando teria sido muito mais ajuizado não os ressuscitar”, diz-se em pleno Quartel-General da NATO.