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sábado, 10 de outubro de 2015

NATO, JOGOS DE GUERRA, TERRORISMO E FASCISMO


 

NATO e Hungria vão tratar dos refugiados
A polícia de choque global, também conhecida por NATO, está numa fase das mais trauliteiras da sua história, superando os próprios e mais sinistros recordes, além de alargar o raio de acção em presença, eficácia, mobilidade e número de efectivos. Dos jogos de guerra no flanco sul, em áreas de intervenção às vezes também conhecidas pelas designações de Portugal, Espanha e Itália, agora considerados ainda mais importantes devido à “crise dos refugiados”, à proliferação de quartéis-generais em redor das fronteiras russas, ao reforço dos contingentes operacionais na Turquia ditado pelas operações russas contra os mais activos grupos terroristas, à multiplicação por três dos meios da “força de resposta” – A NATO nunca ataca, limita-se a responder – os gendarmes atlantistas não descansam na missão suprema, dir-se-ia divina, de preservar a democracia formatada pela ditadura financeira.
Numa comunicação feita há poucas horas, o social-democrata norueguês Jens Stoltenberg, destacado em funções de secretário-geral da aliança expansionista, anunciou que os efectivos da “força de resposta” vão ser aumentados para 40 mil apenas um ano depois de, em Gales, os expoentes doutrinários os terem fixado em 13 mil. O que mudou em menos de 365 dias exigindo esta ampliação exponencial? Stoltenberg respondeu por metade: o aparecimento da “crise dos refugiados”, decorrente das convulsões a sul “do nosso flanco sul”. Quanto à outra metade, o secretário-geral foi omisso, mas nem precisou de ser explícito. A Rússia é a Rússia e agora não lhe bastava ter a querida “democratização” da Ucrânia debaixo de olho como se atreveu a ir combater o terrorismo no Médio Oriente, esse mesmo terrorismo que a NATO enfrenta heroicamente – e com tanta eficácia que os resultados da “primavera árabe” são os que estão à vista de todos.
No quadro da nova situação provocada pela “crise dos refugiados”, uma tragédia humanitária que para os governos dos membros da NATO é assunto a tratar manu militari, a aliança decidiu criar mais dois quartéis-generais em países para lá da antiga “cortina de ferro”. Tratando-se de refugiados, a NATO não poderia ter escolhido melhor a localização das duas novas estruturas operacionais: a Hungria e a Eslováquia, onde dois governos fascistas tratam como terroristas os que fogem da guerra em luta pela sobrevivência. A intimidade da NATO com o fascismo não é de fresca data, não se evidencia apenas na Ucrânia, na Hungria, em Estados do Báltico. Ela foi inscrita no seu código genético ao ter como fundador – logo como grande defensor da democracia – o Portugal salazarento. Por isso, quando um nazi como Anton Gerashenko, conselheiro do ministério do Interior de Kiev, apela ao Estado Islâmico para combater os russos seja no Cáucaso seja no Médio Oriente, em nome da democracia e da sharia (vertente política da ortodoxia islâmica), mais não faz do que respeitar o espírito de missão dos tutores atlantistas. O mesmo Gerashenko que, poucos segundos depois da queda sobre a Ucrânia do avião que fazia o voo MH17, anunciou que fora derrubado por um míssil russo. Uma sentença que ficou como versão oficial, em que ninguém acredita mas prevalece, quanto mais não seja porque é a da NATO e o que a NATO diz não se discute.
Para os que não estar a par do afã expansionista – e defensivo, claro – da NATO lembro que os quartéis-generais na Eslováquia e na Hungria vêm juntar-se aos que já funcionam na Bulgária, na Estónia, na Letónia, na Lituânia, na Polónia e na Roménia, sem contar com o servilismo do governo de Kiev, o qual integra a aliança sem lhe pertencer. O cerco à Rússia é evidente, comprovando-se assim que a NATO é uma instituição de cariz absolutamente defensivo através do respeito estrito por aquela máxima que não é apenas futebolística: a melhor defesa é o ataque.
Por isso, uma nota também sobre os exemplos mais recentes das acções defensivas da NATO e respectivas consequências. Foi em actos de defesa pura que a NATO atacou o Afeganistão, o Iraque, a Líbia e que desencadeou a guerra civil na Síria, tal como esfrangalhara a Jugoslávia. Então, quando o secretário-geral Stoltenberg se queixa da “crise dos refugiados” como resultante das “convulsões” no sul do “nosso flanco sul”, saibam todos que a NATO nada tem a ver com isso, apenas alarga a sua presença e reforça a sua eficácia para se defender do maldito e insidioso terrorismo, o qual a NATO nunca treinou e financiou, nem nunca foi, como agora também não é, seu aliado na Líbia, no Iraque, no Afeganistão, na Síria, na Bósnia-Herzegovina, no Kosovo…
 

sexta-feira, 10 de julho de 2015

NATO E UNIÃO EUROPEIA A UMA VOZ



As ligações umbilicais entre a NATO e a União Europeia não resultam apenas do facto de 23 dos 28 membros da segunda serem igualmente membros da primeira. A NATO funciona, sem qualquer dúvida, como braço armado da União Europeia, comandado operacionalmente pelos Estados Unidos da América, num processo de fusão que os dirigentes de ambas as entidades fazem, aliás, questão de afirmar sem ambiguidades.
A afinidade dos objectivos estratégicos proclamados pela NATO, através da voz do seu secretário-geral, o ex-primeiro ministro norueguês Jens Stoltenberg, e da União Europeia, através da italiana Federica Mogherini, responsável pelas relações externas, transformou-se num afinado dueto.
Enquanto a NATO afirma que está a organizar-se para uma guerra em duas frentes – a Oriente contra a Rússia e no Mediterrâneo a pretexto da situação no Médio Oriente e da crise dos refugiados – a União Europeia assegura, Mogherini o disse, que os seus membros irão, a partir de agora, reforçar ainda mais os orçamentos militares, devido aos desafios securitários nas regiões banhadas pelo Mediterrâneo e às ameaças russas no Leste. Crise grega, estagnação e crise económicas persistentes, a União Europeia em 172º lugar no ranking mundial das taxas de crescimento económico? Não importa: as ameaças russas, dos refugiados esfomeados e das réplicas da guerra imposta na Síria são também razões mais do que suficientes para que não haja alternativa à austeridade.
Stoltenberg e Mogherini – que passou a ser figura omnipresente nas reuniões da NATO – afiançam que todos os esforços devem ser feitos para salvar a Ucrânia e a Geórgia das garras russas, ao mesmo tempo que é preciso instaurar um governo unitário na Líbia. O secretário- geral da NATO reconhece que as operações da aliança em 2013 foram um êxito na maneira como libertaram os civis da ditadura de Khadaffi, porém a situação não é satisfatória, pelo que tudo se conjuga para que tropas atlantistas voltem à Líbia, novamente com o protagonismo de países da União Europeia - França, Reino Unido e Itália, como há dois anos.
Na Líbia, as tropas da NATO irão encontrar pela frente milícias associadas ao Estado Islâmico, as mesmas que foram suas aliadas na guerra para derrubar e assassinar Khaddaffi.
Mas as alianças que parecem ser passado na Líbia são ainda presente na Europa Oriental. O New York Times reconheceu que três batalhões fundamentalistas islâmicos, dois constituídos por chechenos e um por tártaros, participam ao lado das tropas de Kiev, sustentadas pela NATO, e das milícias nazis, treinadas por esta aliança, na vaga de terror contra as populações do Leste e Sudeste da Ucrânia.
Por detrás destes batalhões não estão apenas a NATO e os nazis ucranianos, mas também o Estado Islâmico, uma vez que os mercenários que os compõem foram transferidos das hordas envolvidas na guerra civil síria. Para se ter uma ideia de como os mercenários islâmicos originários do Cáucaso têm peso no Estado Islâmico basta a informação de que o russo ultrapassou o árabe como língua dominante no comando da mais poderosa organização terrorista da actualidade – não incluindo os Estados terroristas, como é óbvio.
São ínvios, pois, os caminhos da NATO e da União Europeia, nos seus generosos e pacíficos combates pela democracia. E não se pense que o dueto formado por Stoltenberg e Mogherini afina formalmente pela direita encafuada no Partido Popular. O norueguês foi primeiro- ministro pelos trabalhistas; e a italiana integra o Partido Democrático, uma associação pouco recomendável que serviu para extinguir os velhos partidos Comunista e Socialista italianos, liderada por Mateo Renzi, esse inspirado primeiro-ministro que vê nas petroditaduras do Golfo a redenção da União Europeia.



segunda-feira, 25 de maio de 2015

COMO A CIA FALHOU NA MACEDÓNIA


O embaixador dos Estados Unidos com Fadil Fejzullahu, um dos terroristas mortos na intentona (Reseau Voltaire)
O golpe de Estado da CIA previsto para o passado dia 17 na Antiga República Jugoslávia da Macedónia foi desmantelado pelas forças governamentais quando já estava em andamento. É a segunda tentativa de mudança de regime fracassada pela ponta de lança do terrorismo de Estado norte-americano nos últimos meses, depois de o governo venezuelano ter feito abortar uma intentona fascista. Apesar dos insucessos, os acontecimentos revelam que as décadas passam e os Estados Unidos da América continuam a praticar a política de não olhar a meios para atingir os fins – instalar os seus agentes à cabeça de governos onde quer que seja.
O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, lamentou os acontecimentos na Macedónia e pediu uma investigação “transparente”. Aqui se registam alguns dados já confirmados, num quadro de rigor e transparência. No dia 17 de Maio esteve prevista em Skopje, capital da Macedónia ex-jugoslava, uma manifestação da minoria albanófona na qual seriam distribuídas duas mil máscaras entre os participantes, a entregar pelos organizadores, o Partido Social Democrata de Zoran Zaev. Durante o desfile, alguns desses mascarados atacariam edifícios de várias instituições e tentariam provocar uma “revolução” inspirada nos acontecimentos na Praça Maidan e que deixaram a Ucrânia no estado saudável em que se encontra.
O golpe falhou porque os serviços governamentais macedónios conseguiram deter, em 11 de Maio, a infiltração do comando terrorista que, sob o disfarce das máscaras, iria lançar os ataques durante a manifestação. Todos os principais chefes do comando foram figuras destacadas do UCK, o grupo terrorista islâmico e albanófono a quem a NATO e a União Europeia entregaram o território do Kosovo arbitrariamente amputado à Sérvia. Um dos comandos foi identificado como sendo Rijai Bey, antigo membro da segurança de Ramush Haradinaj, traficante de drogas, antigo chefe militar do UCK e ex-primeiro ministro do Kosovo. Haradinaj compareceu duas vezes perante o tribunal dos crimes na antiga Jugoslâvia e foi absolvido em ambos os casos: durante os processos foram assassinadas nove testemunhas consideradas fundamentais.
A infiltração foi contida pelas forças governamentais durante um confronto no qual morreram 14 terroristas e oito membros dos serviços macedónios. Salomonicamente, o secretário-geral da NATO manifestou “simpatia” pelas famílias de todas as vítimas, abstendo-se de condenar o terrorismo e de manifestar apreço pelo facto de a legitimidade governamental ter prevalecido.
Porém, Washington e o seu embaixador em Skopje, Paul Wohlers, não vão desistir porque na Macedónia se joga também a guerra energética declarada contra a Rússia.
O expansionismo albanês na região, com o apoio da NATO e da União Europeia, é um combustível importante para objectivos como este. O mapa da Grande Albânia, com a integração do Kosovo e de parte da Macedónia, continua afixado nos gabinetes dos chefes de Tirana. Trata-se de uma estratégia a prazo e que, neste caso, serviu interesses mais imediatos. Através do golpe, de que já tinha havido sinais em Janeiro, os Estados Unidos tentaram frustrar a concretização do gasoduto alternativo ao South Stream, que Washington sabotou ao forçar a Bulgária a retirar-se.
Putin não desistiu e em Dezembro do ano passado convenceu a Turquia de Erdogan a colaborar numa alternativa; seguiu-se o acordo do novo governo grego de Tsipras e da Macedónia, negociado em Março. A Sérvia decidiu transitar do falhado South Stream para a nova alternativa e, com isso, passou a sentir os efeitos de novas pressões pela secessão da Voivodina. O novo projecto de gasoduto permitirá à Turquia distribuir gás russo através da Europa, contornando o embargo internacional decretado pelos Estados Unidos. Percebe-se pois, como absoluta “transparência”, talvez não a desejada pelo senhor Stoltenberg, onde queria chegar o “mundo civilizado” com esta tentativa de golpe na Macedónia. Outros capítulos se seguirão pois se dizem que Deus não dorme, Washington também não.