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quarta-feira, 20 de abril de 2016

O SEGREDO É A ALMA DA TRAPAÇA


 

Revela a comunicação social que o Banco Central Europeu proíbe o Ministério português das Finanças de fornecer à Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o BANIF as mensagens relacionadas com os escândalos deste banco.

Lendo as coisas como elas devem ser lidas, verifica-se que os deputados eleitos pelos portugueses, e que tentam fazer alguma luz sobre uma monumental burla que vai custar muito pão para a boca a esses mesmos portugueses, estão impedidos de proceder à investigação plena por ordem de um sujeito não eleito emitindo arbitrariedades do seu cadeirão de Frankfurt. Diz o senhor Draghi, aliás solenemente convidado pelo chefe de Estado português para baptizar o Conselho de Estado, que os deputados não podem conhecer o conteúdo das “trocas de ideias” realizadas sobre o assunto. Por que não podem, e não se fala mais nisso.

Lei da rolha, documentos rasurados do Banco de Portugal, manutenção a toda a força de Carlos Costa, o desqualificado e manobrista governador desta instituição, são apenas alguns dos comportamentos golpistas que estão à vista de todos mas impedem que venha a saber-se tudo sobre os assaltos aos nossos bolsos cometidos pela banca.

Draghi, figura grada da linhagem corrupta da Goldman Sachs, a mesma que faz o papel de Deus na Terra, e que operou como maestro da quadrilha de luxo que viciou as contas públicas gregas na antecâmara do flagelo a que os foram condenados os gregos, não hesitará em fazer o mesmo aos portugueses, se isso for útil aos vampiros da finança internacional.

Draghi é a prova provada de que o segredo é a alma da trapaça. E o BCE que ele dirige – instrumento do império pan-europeu alemão solidificado através da moeda única – é o exemplo descarado de que as semelhanças entre o regime em que vivemos às ordens de Bruxelas (e Frankfurt) e a democracia já nem sequer chegam a ser coincidências. Vivemos sob a ditadura do euro através da qual – é um simples exemplo – os deputados eleitos democraticamente só podem conhecer o que o ditador de turno, neste caso Mário Draghi, permite que saibam sobre o latrocínio instalado na banca.

Por muito que me apeteça saudar os esforços do governo português em funções e da Assembleia da República para porem um pouco de transparência na burla institucional que nos leva o que temos e, sobretudo, o que não temos, as suas boas intenções não passam de fisgadas contra uma parede de betão.

Não foi para isto que se fez o 25 de Abril. Lembram-se dele?

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

A BATOTA DOS REGULADORES


 
Algumas das mais ilustres explicações sobre o que se vai passando nos nossos quotidianos, intra ou extra-fronteiras, são remetidas para “os reguladores”. Os reguladores são, por isso, uma espécie de juízes, árbitros, ou mesmo deuses que determinam se os mecanismos que fazem funcionar a sociedade são aplicados segundo os parâmetros não propriamente das leis mas sim dos equilíbrios que, segundo os reguladores, devem existir.
Há reguladores para tudo e depois, vai-se a ver, são tantos que pouco ou nada regulam e, quando o fazem, mais valia que estivessem quietos.
O Banco de Portugal, por exemplo, deixou de ser banco central e passou a “regulador”. Depois existem reguladores para a concorrência, a energia, a saúde, a comunicação social (valha-nos Deus!), a bolsa de valores, os combustíveis e o mais que descubram na vossa memória e pesquisem nas boas falas de analistas, colunistas, comentadores, moderadores e outros querubins do regime.
Reguladores há-os intra e extra-fronteiras, isto é, no aconchego de cada país e na grande metrópole europeia. Por isso os reguladores se multiplicam como cogumelos, tropeçando uns nos outros, remetendo competências de uns para os outros (quando a batata é supostamente quente) para, no fim das contas, nada regularem e tudo aceitarem.
Porque os reguladores, por definição do próprio regime em que vivemos, a que alguns têm a ousadia de chamar democracia, são fogos-fátuos, miragem para entreter cidadão, sinecuras para clientelas do arco da governação amealharem mais uns cobres do erário público – para isso pagamos os nossos impostos, que já somam, só este ano, mais 900 milhões que no ano passado. Grande e boa democracia fiscal!
Não será novidade escrever que uma das grandes virtudes proclamadas por todos os governos que, a diversas velocidades, vão destruindo países e demonstrando que a União Europeia nunca foi mais do que conversa para os ricos ficarem mais ricos, é a “desregulação”. Desregulação da economia, desregulação do mercado de trabalho, desregulação da comunicação social, desregulação das viagens aéreas, dos caminhos-de-ferro, do sector bancário, da energia. Desregulação, enfim, de tudo o que seja bom negócio privado e que ainda permaneça nas indignas manápulas do Estado, o qual, por definição, deveria ser de nós todos. Ainda assim, e mesmo que o não seja, desregulação é o que é: tirar ao Estado para entregar aos senhores privados, quanto maiores melhores e mais aptos a aproveitar os saldos organizados por governos, troikas e adjacências; e também zelar para que a desregulação prossiga como deve ser, desreguladamente no sentido da total anarquia capitalista, o apogeu do neoliberalismo.
Ora se o segredo é desregular, para que servem então os reguladores? Bem, poderíamos reunir alguns exemplos lusitanos, como o comportamento do regulador, o Banco de Portugal, no BPN, BES e o mais que não se sabe e provavelmente jamais virá a saber-se, as atitudes dos reguladores nas vendas e privatizações, da EDP à TAP, dos Estaleiros Navais de Viana aos aeroportos e ao desmantelamento da indústria. Negócios em que o Estado saldou para supostamente pagar uma dívida incobrável e os privados engordaram que nem odres com o beneplácito – é ponto assente – dos reguladores, locais e bruxelenses. E quando a coisa não cheira lá muito bem a Bruxelas, como a da TAP, aliás agora Air Barraqueiro – que fede em todo o lado – o regulador central declara-se “incompetente” (olha a novidade!) e devolve a bola à origem para que tudo decorra na santa podridão de sempre.
Pois é, os reguladores não regulam, dizem amen ao saque dos bens públicos e às batotas do regime de cleptocracia, de que são parte integrante. Os reguladores dão cobertura às traficâncias do sistema, supostamente em nome de todos nós e sem que ninguém os tenha eleito. E que outro papel poderiam ter os reguladores quando a essência do regime é a desregulação?
 
 

quinta-feira, 23 de julho de 2015

A DÍVIDA E O PAI NATAL


O primeiro ministro de Portugal em exercício, mais o seu vice, mais o resto do governo, mais os ex-governantes e respectivos deputados, enfim, o “arco da governação” que chamou e alimentou a troika continuam a querer fazer de todos nós imbecis. É que a dívida pública portuguesa, além de ser parte de uma dívida soberana incobrável, no que não difere da situação grega mais milhar de milhão menos milhar de milhão, continua a subir como um míssil - mas em absoluto descontrolo - enquanto os responsáveis pelo fenómeno trocam culpas e acusações exigindo às vítimas que continuem a lançar os seus cada vez mais minguados rendimentos para um poço sem fundo.
Portugal é diferente da Grécia? Será… Mas apenas por enquanto, porque para lá caminha e outros se seguirão se os candidatos a imbecis, que somos todos nós vivendo dentro da União Europeia e da Zona Euro, não lhes dissermos que já chega.
Não se pense que os dados demonstrativos de que a dívida trepa sem cessar resultam de contas distorcidas elaboradas por mal-intencionados economistas de esquerda, como o “arco” e seus cúmplices gostam de argumentar. Os números são do Banco de Portugal, e se a instituição em si mesma, ou pelo menos quem a dirige, não deva ser considerada de confiança, os valores parecem sê-lo, porque se fossem alvo das conhecidas marteladas estatísticas não apareceriam tão nus e crus ante os nossos olhos.
Pois revela o Banco de Portugal que num só mês, de Abril para Maio, a dívida pública portuguesa cresceu 3777 milhões de euros, atingindo a soma astronómica de 229204 milhões de euros, uma coisa que chega quase aos 20850 euros por cada português – um pouco mais porque, como sabemos, as elites estão dispensadas de participar neste “esforço nacional”. Ou seja, só num mês a dívida pública portuguesa cresceu quase cinco por cento do valor total da “ajuda” da troika, como se sabe no valor de 76 mil milhões e que tinha como objectivo proclamado pelos governos responsáveis pagar uma dívida que cresce…Cresce… Cresce…
Recordando um pouco os argumentos dos últimos primeiros-ministros portugueses, sempre indispostos para renegociar a dívida, o que, segundo eles, seria coisa de “caloteiros”, os caminhos para sermos uns devedores bem comportados estão bifurcados em austeridade e competitividade, panaceia esta que nos transformaria em bons exportadores e menos bons importadores, assim se virando a balança comercial a nosso favor. Pois bem, ou mal, neste caso, sobre os efeitos da austeridade na vida dos cidadãos, provocando ainda o caos no tecido económico nacional, estamos conversados; quando à balança comercial, eis o que também nos diz o Banco de Portugal: nos cinco primeiros meses deste ano o défice foi de 911,1 milhões de euros, contra um balanço também negativo de 776,1 milhões no mesmo período do ano passado. A panaceia fracassou, como se sabia e o governo contrariava a pés juntos com base em meros e episódicos afloramentos positivos.
O Banco de Portugal, que por esta via não tardará a engrossar as “forças de bloqueio” apontadas a dedo pelo primeiro-ministro em exercício e seu excitado vice, diz-nos ainda que as contas externas do país registaram de Janeiro a Maio um défice de 103 milhões de euros, um valor que – reparem nisto – traduz uma degradação de 471,6 milhões em comparação com os primeiros cinco meses de 2014.
Eis pois, senhoras e senhores, o país saudável e recuperado, como ele gosta de dizer, que o senhor primeiro-ministro de Portugal nos deixa a menos de três meses das próximas eleições gerais. Ele, coitado, diz-se enganado pelo governo anterior, e por isso teve de aumentar brutalmente os impostos quando prometera diminuí-los, carregou selvaticamente na austeridade quando jurara acabar com ela, expulsou quase meio milhão de portugueses depois de garantir que viria aí emprego e crescimento económico. Enquanto a dívida soberana, de 102 por cento do PIB há quatro anos já passou por cima dos 130 por cento e assim continua a galope.
Pois se ele se diz enganado pelo anterior governo, os cidadãos foram burlados por ambos e também por quantos os antecederam até ao primeiro – já lá vão décadas – que resolveu ajustar contas com o 25 de Abril a coberto dos interesses malfeitores que gerem a União Europeia e a moeda única.

É oficial: se daqui dois meses e picos os portugueses aceitarem ir pelos mesmos caminhos é porque acreditam no pai natal e outros mitos mágicos.