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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

JUNCKER E O "PRINCÍPIO DO FIM" DA UNIÃO EUROPEIA


 
Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, que ele próprio considera como sendo “a da última oportunidade”, declara-se alarmado com as “fragilidades” e as “rupturas” de que sofre a União Europeia e admite que a organização “não se encontra em bom estado”, podendo mesmo ter chegado ao “ princípio do fim”.
“Não é preciso ir muito longe para encontrar os responsáveis”, diz Juncker. E acusa “os governos dos Estados membros, que ele vê reféns “do nacionalismo e do populismo” quer “sejam de esquerda ou direita”. Um pequeno parêntesis para lembrar que quando o presidente da Comissão fala de “esquerda”, no linguajar eurocrata isso significa partidos socialistas e sociais-democratas na sua versão da gestão bipolar e monolítica dos assuntos europeus, visivelmente em decadência.
São duras e cruas as palavras de Juncker. Foram proferidas a 15 de Janeiro em Bruxelas, durante um encontro com jornalistas onde deixou desabafos autocríticos como este: “ a minha geração não é uma geração de gigantes””.
O diagnóstico não é novo. Está plasmado e visível na comunicação social, mesmo naquela que se diz “de referência” e para a qual a Europa não se discute, há que fazer o que Bruxelas manda, doa a quem doer, sabendo-se que dói sobretudo às maiorias dos menos favorecidos. O que surpreende, apesar de se conhecer o seu estilo informal quanto baste, é o tom da advertência do presidente da Comissão, que desta feita não poupou os governos e disparou um míssil na batalha institucional entre a Comissão e o Conselho.
Alguns analistas interpretaram as palavras de Juncker como uma manifestação de “pessimismo inteligente”, um método para espicaçar as instituições de maneira a que procurem soluções urgentes para os muitos problemas da União e expondo-lhes, ao mesmo tempo, um cenário de urgência, como quem diz que nada é eterno, nem mesmo a União Europeia. Citou quatro problemas que atingem em cheio os 28 – terrorismo, refugiados, a Ucrânia e a Grécia – não escondendo que deles e outros decorre uma “policrise” perante a qual detectou “tantas fragilidades e rupturas”.
O aviso, apesar de alarmante, teve pouco eco. Talvez por já prever que isso acontecesse, o presidente da Comissão Europeia desabafou que não tem “grandes ilusões” sobre o ano que começou. De facto, as circunstâncias dão-lhe razão, porque nem todos os responsáveis, a começar pelos de maior influência, parecem manifestar inquietação com o “estado da Europa” e resvalam, sem dúvida, para os terrenos movediços do nacionalismo e do populismo, os quais alastram - e parece que sem contenção - nos dois pilares da União, o chamado “eixo europeu” e também designado “a locomotiva da Europa”: França e Alemanha.
Em França, o presidente Hollande não usou uma única vez a palavra “Europa” no seu discurso de ano novo durante, no qual abundaram, ao invés, as inquietações sobre o estado da “pátria francesa”. O terrorismo é o culpado desta omissão, segundo os eurocratas, mas estes não têm ilusões de que no todo da mensagem está implícito – em forma de transigência - o efeito do impacto dos recentes resultados eleitorais conseguidos pelo neofascismo. Tendência que, numa demonstração prática das cedências ao populismo denunciadas por Juncker, o primeiro-ministro Manuel Valls reforçou ao anunciar que o estado de emergência no país será prorrogado até que “seja derrotado o Estado islâmico”, ou seja, por tempo indeterminado. Resumindo: a democracia está suspensa em França”.
Na Alemanha o panorama é diferente, mas as forças neonazis amadurecem a alta velocidade e ameaçam a prazo – que provavelmente não será longo – o status quo da senhora Merkel. O nazismo sempre latente na sociedade alemã encontrou agora nos refugiados o seu novo ovo da serpente e o partido Alternativa para a Alemanha (ADF), que só por meia dúzia de votos não teve acesso ao Parlamento em 2013 – antes da crise actual – prepara-se para entrar em força em três parlamentos regionais já em 13 de Março, instalando os primeiros marcos da alteração do mapa político do país. Analistas alemães advertem que na sombra desta emergência do Adf, anti União e anti refugiados, estão correntes influentes da CDU da chanceler, descontentes com o “centrismo” desta.
No meio destes problemas de fundo, outros do mesmo tipo se manifestam de maneira exuberante na Polónia, país que o diário espanhol El País designa como o “Kackzinskystão, de Jaroslaw Kackzinsky, o homem sombra que conduz e manipula a extrema-direita no poder, exercido em maioria absoluta com 37 por cento dos votos obtidos em abstenção de metade do eleitorado; e na Hungria, onde o regime ultranacionalista de Viktor Orban soma e segue na instauração da ditadura política, sob os olhares indiferentes, ou mesmo cúmplices, de Bruxelas.
Polónia e Hungria onde Bruxelas continua a despejar verbas equivalentes a 4% dos respectivos PIB enquanto regateia à décima o número do défice do projecto de orçamento elaborado pelo governo de Portugal. É assim que funcionam as instituições, alegarão os ortodoxos e fundamentalistas da União Europeia, mas talvez seja mesmo por isso, entre muitas outras incongruências, que a comunidade tenha chegado “ao princípio do fim”, não segundo as palavras de um qualquer infiel da liturgia europeia mas do próprio presidente da Comissão.    
 

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

CHAMA-SE A ISTO SOBERANIA



Sabemos que o primeiro-ministro português ainda em exercício, fiel ao seu lema Portugal atrás e os portugueses em último lugar, considera a soberania uma “batota”, como declarou no debate televisivo com o seu principal rival nas eleições. “Batota” pensar em primeiro lugar na vida dos portugueses, que deve submeter-se antes aos mecanismos do euro e às exigências dos agiotas; “batota” agir em primeiro lugar na defesa da economia portuguesa e só depois pesar os interesses dos alemães ou de quaisquer outros; “batota”, enfim, ser o Estado português a elaborar e aprovar o seu próprio orçamento e não a Alemanha e outros por ela.
De modo que o orçamento de Estado para 2016 caiu em cheio no período de negociações sobre o próximo governo como recado fundamentalista dos autocratas da União Europeia, exigindo que o país não mude de política. Digamos que, sob a capa de um calendário quiçá “irrevogável”, a Comissão Europeia pediu ao minoritário governo em funções em Portugal que envie para Bruxelas imediatamente – e já está atrasado – um projecto de orçamento com base na continuação das mesmas políticas, sem qualquer alteração. Estipula ainda a Comissão Europeia – em boa verdade constituída por cavalheiros e cavalheiras que ninguém elegeu em parte alguma, a não ser a fazer de conta no Parlamento Europeu – que se porventura vier a existir um outro governo este envie as suas alterações ao projecto orçamental, sujeitas à decisão final da mesma Comissão.
Em defesa das suas exigências, os senhores e senhoras de Bruxelas vão brandindo instrumentos por eles mesmos cozinhados para, imagine-se, combater a crise, como o “two pack”, o “semestre europeu”, o “tratado orçamental”, coisas de que o cidadão comum é vítima desconhecendo sequer que existem, e muito menos as respectivas consequências, porque foram escamoteados da opinião pública com ratificações à sorrelfa e redigidos num europês tecnocrático apenas ao alcance dos austeritários que os produziram e poucos mais.
Pois se julgavam que Portugal era um país soberano, tirem daí o sentido. Os portugueses foram a votos, deixaram a maioria em minoria, seguem com alguma ansiedade um processo de negociações capaz de traduzir essa decisão em governo, mas em Bruxelas é como se nada tivesse acontecido e os eleitores não existam. O que Lisboa tem de fazer, para que assim se cumpram as normas europeias, é submeter o orçamento do Estado às instâncias da União elaborado como se não tivesse havido eleições e a minoria continuasse a ser maioria.
Se por um qualquer bambúrrio se formar em Lisboa um governo discordando desse projecto de continuidade, o que tem a fazer é enviar para Bruxelas as propostas de alteração, que certamente não tardarão no lixo se contrariarem a continuidade austeritária. Assim funciona o diktat de Bruxelas, melhor será escrever o diktat de Berlim.
Em Portugal, os situacionistas da crueldade social em que se vive continuam a fazer suas as ordens de Bruxelas, como as eleições tivessem sido de faz-de-conta. Formar um governo reflectindo a nova composição do Parlamento será “um golpe de Estado”, um “atentado contra a nossa vocação europeia” ou, como diz aquele indivíduo para quem não há almoços grátis, será o mesmo que produzir “uma enorme quantidade de irrealismo”.
Cada cidadão português, como cada cidadão de qualquer país da União Europeia, deve ter a noção de que Bruxelas exerce um poder de chantagem e de veto sobre as suas vontades e decisões expressas da maneira mais democrática que existe, o voto.
As decisões dos cidadãos, por definição de democracia, são soberanas. Isto é, sobrepõem-se também aos compromissos internacionais se estes forem obstáculos ao respeito pela vontade maioritária. Com estas palavras não pretendo defender que os compromissos internacionais sejam para desrespeitar por dá cá aquela palha. Os compromissos internacionais, porém, não são tabus inamovíveis aos quais se sujeitem valores fundamentais do ser humano. Tal como as dívidas, são negociáveis e reajustados quando existe uma vontade democraticamente legitimada para o fazer. Esse é o papel dos governos.
A isto chama-se soberania; submeter-se a diktats não é soberania; pior do que batota, é reles sabujice.
 
 

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

O CONSPIRADOR


 
Os portugueses ganham menos, trabalham mais e correm riscos mais elevados de despedimento.
Quem o diz? A CGTP? O PCP ou o Bloco de Esquerda? O “radical” António Costa? Se o leitor respondeu de acordo com alguma destas óbvias alternativas errou redondamente.
Quem o diz é a insuspeitíssima OCDE, entidade neoliberal por essência e definição, concluindo assim que a vida dos portugueses está cada vez pior. As motivações do desabafo só os próprios a conhecerão, mas agora que, segundo a coligação que nos deixou neste lindo estado, as coisas iam tão bem, esta conclusão parece traiçoeiramente combinada entre a dita OCDE e as diligências de António Costa para fazer um governo contra a austeridade.
Ao mesmo tempo, imagine-se a amplitude da conspiração, a Global Wealth Report, uma das várias entidades que avaliam a saúde das finanças dos mais ricos do mundo, deduziu que Portugal tem menos milionários, mas mais ricos.
Isto é, por um lado os portugueses ganham menos, trabalham mais e vivem na corda bamba do desemprego; por outro, os milionários portugueses são em menor número, helas!, mas estão mais ricos.
Surge então o ex-presidente da Comissão Europeia, um indivíduo que devia estar a prestar contas ao Tribunal de Haia por crimes contra a humanidade, e adverte os militantes do PS que nem se atrevam a permitir um governo de aliança entre o seu partido e os partidos à esquerda, porque isso irá trazer elevados custos aos portugueses. A quem? Aos que carregam o peso da austeridade ou àqueles pobres milionários, coitados, que estão menos ricos, quiçá até aos que estão mais ricos?
Depois das quedas na bolsa provocadas pela “instabilidade política” conjugada com a “ameaça de um governo de esquerda”, depois das insistências de Bruxelas para que o governo – em minoria – envie rapidamente o “projecto de orçamento” do próximo ano, depois dos recados dos bancos segundo os quais, como “motores da economia”, exigem uma célere e estável “solução política”, depois das mensagens cifradas do rei de Boliqueime, faltavam-nos as ameaças silvadas pelo ex-presidente da Comissão.
O homem nem hesitou em interromper o seu repouso sabático, talvez correndo o risco de perder o telefonema capaz de o projectar para novos e altíssimos voos, tão empenhado está em acudir aos portugueses assim ameaçados de ganharem ainda menos, de trabalharem ainda mais, de alongarem a interminável fila dos desempregados. Ele, o ex-presidente da Comissão Europeia que não hesitou em fazer das mentiras guerra e assim provocar a perda de milhões de vidas humanas – é verdade, a ordem de grandeza das vítimas mortais das guerras por ele apoiadas já se avalia em milhões; ele, que depois do desmantelamento do Iraque e da Líbia também tem as mãos sujas do sangue dos sírios, pois sabe-se como a União Europeia contribuiu e contribui para esta tragédia; ele, que está na origem da via-sacra dos refugiados a caminho da Europa e que, enquanto presidente da Comissão, nada fez – antes pelo contrário – para que a Europa tivesse uma política de imigração.
Dir-se-á: pois sim, o homem será isso tudo mas também é um patriota. Ainda muito novinho, revolucionário em folha, impediu que os portugueses tombassem nas mãos do tenebroso “social-fascismo”. Depois, como primeiro-ministro de Portugal, foi o anfitrião ideal da tal cimeira dos grandes democratas Bush, Aznar e Blair que iria levar a democracia a cada recanto do Médio Oriente e só não o conseguiu devido às tramoias do “terrorismo”. A seguir, já como presidente da Comissão Europeia, defendeu bravamente os interesses dos portugueses enviando-lhes a troika, protegendo os agiotas que lhes sugam os bens, colocando-se ao lado da benemérita Merkel, que só por um triz não ganhou o Nobel da Paz, contribuindo para que aos seus concidadãos fossem impostos tratados e outros artifícios austeritários, de modo a instaurar a ordem nas benditas finanças públicas. É certo que a dívida continua a crescer, os números fintam os discursos oficiais, mas há que dar tempo ao tempo e espaço à minoria governamental.
Enfim, o homem que fez tudo o que esteve ao seu alcance para que os portugueses ganhem menos, trabalhem mais, emigrem muito mais e vivam cada vez mais à beira do desemprego é a voz segura e certa para advertir os mesmos portugueses de que irão ganhar menos com um governo à esquerda. Ele sabe do que fala; sobretudo, sabe como se conspira.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

DEMOCRACIA E DIKTAT


O G7, que já foi G8 e volta a ser G7 quando isso é da conveniência de quem o inventou, é um encontro das “grandes democracias” para fazerem o balanço de como se comportam todos os outros, democracias ou não, que recebem elogios, raros e sempre verbais, e sobretudo reprimendas, severas, contundentes, dolorosas. O G7 é, por assim dizer, um tribunal da democracia, que aplica leis que não são válidas para os seus membros porque, ungidos pela própria essência da democracia, estão acima de qualquer suspeita e controlo.
Desta feita as vítimas escolhidas para se sentarem no banco dos réus foram a Rússia – despromovida do favor que em tempos lhe facultaram de haver G8 em vez de G7 – a Grécia e a Síria. Previsível, como tudo o que é controlado pelos donos absolutos da democracia. Dantes havia também o Irão, mas isso agora é outra história, ou pelo menos assim se pensa, como se verá a partir do fim deste mês. Houve ainda uns segundos, suficientes creio, para que ficasse registada em acta a preocupação destes sete magníficos com o estado miserável em que se encontra o ambiente do planeta terra. Podemos ficar descansados: o tempo utilizado foi pouco mas aproveitado até ao milésimo de segundo: o G7 prometeu fazer tudo o que estiver ao seu alcance para aliviar o mundo dos efeitos do excesso de carbono na atmosfera através de acções que serão evidentes já amanhã, isto é, em 2050.
Mais urgente, muito mais urgente, como se compreende, é por o dedo no nariz da Rússia, aplicando-lhe novas sanções pelo que se passa na Ucrânia, onde o excelentíssimo tribunal dos sete ordenou que democracia e fascismo são uma e a mesma coisa e ai de quem desobedece. Novas sanções a Moscovo e “aprofundar” o desenvolvimento da Ucrânia, isto é, estabilizar a acção da junta nazi são, no entender dos sete, as soluções que tudo irão resolver. Até a senhora Merkel, de um país onde a economia sofre assinaláveis convulsões devido à ressaca das sanções a Moscovo, acha que sim, esse é o caminho e afinal as escudas que os espiões da NSA fazem aos seus telefonemas são lógicas porque os Estados Unidos e a Alemanha são “amigos inseparáveis” e os amigos nada têm a esconder.
Também a Grécia vai ter de entrar nos eixos, ameaça o G7. Já chega de o governo Tsipras andar a tentar fintar a troika, os mercados financeiros, todos aqueles que engordam com os sacrifícios de morte impostos aos gregos. A dívida é para pagar, a austeridade é para levar até às últimas consequências, os donos da democracia estão a perder a paciência com estas rebeldias anacrónicas de querer que os povos não sejam aquilo que estão condenados a ser: paus mandados do mercado e do seu tribunal da democracia, o G7.
A cimeira do G7 revelou também a impaciência dos seus membros por chegarem a mais uma reunião e, apesar de todas as suas ordens, o impertinente Bachar Assad continuar a ser presidente da Síria, com a agravante de ter sido reeleito pelos seus concidadãos. Por isso os sete decidiram reforçar a ajuda aos terroristas “moderados”, que por sua vez canalizarão esses apoios para quem de direito, o Estado Islâmico e a Al Qaida, inimigos públicos, amigos privados. Ou seja, o G7 insiste na receita de sempre, a que desfez em cacos o Médio Oriente, para que os cacos se desfaçam em caquinhos e então os senhores da região, democracias autênticas e puras como são as de Israel e Arábia Saudita, em concerto com o regenerado Irão e os Estados Unidos, possam impor a ordem, uma nova ordem.
E pronto, o G7 fez o que tinha a fazer, chegou a hora do retrato de família, provavelmente animado pelo presidente da Comissão Europeia, que leva muito a sério o seu papel de clown político e cerimonialista. O tribunal das democracias reuniu-se, o diktat ficou escrito, que o cumpra quem tem de cumprir, porque as sanções e as guerras são o caminho certo e certeiro para a paz. Assim vai o mundo.


domingo, 31 de maio de 2015

BALSEMÃO, BARROSO & Cia


 

Anuncia a comunicação dita “de referência”, que nestas coisas do chamado arco da governação tem obrigação de saber do que fala, que o senhor Pinto Balsemão, luso-imperador da comunicação social com sotaque global do comendador Marinho, escolheu sucessor na comissão permanente do universo conspirador conhecido por Grupo de Bilderberg. E esse sucessor é: o inefável Durão Barroso, pois quem havia de ser? De conspirador militante anti-25 de Abril, via mrpp, a intérprete dos desejos dos barões da especulação financeira a quem foi confiado o cutelo da austeridade, passando por anfitrião da cimeira de grandes mentirosos que acelerou o caos em que se encontra o Médio Oriente, o seu currículo merece tão valiosa recompensa como insigne distinção. Barroso não passa apenas a fazer parte do núcleo dos grandes conspiradores que, numa clandestinidade aristocrática, definem como deve funcionar a “democracia transparente” em todo o mundo; assume também funções executivas, isto é, empunha o facho com a chama acesa entre conclaves anuais e, por inerência, convida os portugueses a quem serão atribuídas as missões estratégicas a desempenhar nos próximos tempos.
Esta interpretação de factos tão relevantes que aqui vos transmito emana, como não podia deixar de ser, dos sinistros antros da teoria da conspiração. O senhor Balsemão foi um corajoso dissidente do fascismo, até integrou a Ala Liberal, uma engenhosa manobra de regeneração do marcelismo através do manto diáfano da democracia para que o capitalismo continuasse a ser o que sempre foi; foi apanhada em contrapé pelos militares, é verdade, mas logo se recompôs reencarnando em forma PSD. O senhor Balsemão foi até primeiro-ministro durante a longa marcha contra a herança do 25 de Abril conduzida juntamente com o dr. Soares e o prof. Freitas, sob a batuta ágil e enérgica do embaixador Carlucci, para devolver o país à essência da Ala Liberal, que hoje tanto pode chamar-se ala neoliberal como arco da governação. No entanto, a vocação autêntica do senhor Balsemão é a propaganda, tendo encontrado no Grupo de Bilderberg o lugar certo para desempenhar a missão que lhe foi outorgada, com vantagens inegáveis para o próprio e quem o escolheu e danos vultosos para a democracia. Danos vultosos estes que não são colaterais, mas sim a essência dos objectivos a atingir.
Quanto ao senhor Durão Barroso, uma geração abaixo, é a sucessão natural do agora fatigado guerreiro Balsemão, merecedor de repouso e de uma enxurrada de condecorações. De feroz inimigo da “educação burguesa” traulitando a eito contra o 25 de Abril a enfático presidente da Comissão Europeia com um pé ou os dois sempre em Washington – lembre-se a cruzada pelo “acordo de comércio transatlântico” lançada a todo o gás e com as urgências máximas no último ano do seu mandato - ele tem energia, contactos e experiência para dar e vender nos areópagos da conspiração mundial. Parece ser o homem certo no lugar certo porque nos últimos anos poucos dirigentes políticos têm conseguido ser tão eficazes contra a democracia e os direitos humanos em nome da democracia e dos direitos humanos. O senhor Barroso – há que reconhecer-lhe esse talento - tem o savoir-faire, a intrepidez e a flexibilidade de manobra fundamentais para executar missões e trabalhos de sapa encomendados pelos padrinhos, que assim conservam as mãos limpas e impolutas. Das Lages ao desempenho à cabeça da Comissão Europeia não faltam exemplos ilustrando uma tal vocação que lhe vem da meninice e à qual soube puxar o lustro exigido pela elegância da especulação financeira.
Neste mês de Junho, que promete ser quente, dar-se-á a passagem do testemunho de Balsemão para Barroso em mais um conclave anual de Bilderberg. Com as ondas de choque do acordo entre os Estados Unidos da América e o Irão no horizonte, os magnatas, generais, barões da propaganda, super-espiões, estrategos, ex-governantes, imperadores das telecomunicações vão formatar os acontecimentos do próximo ano e daí canalizarão as ordens a cumprir pelas múltiplas versões de arco da governação implantadas através do globo. Lá estarão também os portugueses, escolhidos quiçá a quatro mãos por Balsemão & Barroso, para serem instruídos nas missões a desempenhar, sejam quais foram os resultados das eleições, para que a lusitana versão do arco da governação prossiga no caminho em que deve prosseguir para que os ricos sejam cada vais mais ricos e os pobres cada vez mais pobres e mais numerosos.
Interpretação esta que não passa, como sempre, de mal-intencionada teoria da conspiração.