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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

POLÓNIA INICIA "TERAPIA PELA CENSURA"



O novo governo da Polónia, que a púdica linguagem politicamente correcta dos meios de “referência” qualifica como “ultraconservador”, decidiu abrir o ano “curando o país de algumas doenças” através da instauração da censura oficial nos meios de comunicação públicos. Bruxelas anuncia que vai pensar e debater o assunto para depois, eventualmente, tomar uma decisão, que daqui a não se sabe quanto tempo poderá culminar na suspensão do direito de voto do país – ou seja, tal como na Hungria, a resposta não dará em nada, os intuitos censórios vencerão.
O Partido Direito e Justiça (PIS) que governa a Polónia há algumas semanas, aproveitando o caminho que foi aberto pela cruel política económica da extrema-direita neoliberal, é, em português comum, um partido fascista entre os muitos que vão tomando posições governamentais e próximas disso através de toda a Europa. É um partido semelhante ao Fidesz de Viktor Orban, na Hungria, dito ultranacionalista ou ultraconservador e que, para encurtar definições e traduzir a realidade, é simplesmente fascista. Tal como os seus aliados Jobbik, que praticam o terrorismo através de grupos de assalto organizados à imagem e semelhança das SA de Hitler.
O partido governante da Polónia, é certo, não implanta a censura criando uma equipa de coronéis armados de lápis azuis à maneira do antigamente, por exemplo em Portugal. O método é mais polido, assente em leis aprovadas pelas instituições no poder: transforma os meios de comunicação públicos, que são sociedades de direito comercial controladas pelo Estado, em instituições “culturais” gerida pelo Conselho Nacional dos Media, a criar. “Será o primeiro passo para curar o país de algumas doenças”, adverte Jaroslav Kaczinsky, o chefe do partido.
Uma dessas doenças, explicada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Witold Waszcykowski, tem como sintoma o facto de a sociedade polaca caminhar no sentido “marxista” de “uma nova mistura de raças, um mundo de ciclistas e vegetarianos que só se interessa por energias renováveis e se opõe a todas as religiões, o que não tem a ver com as raízes polacas tradicionais”.
A União Europeia reage prometendo que a 13 de Janeiro iniciará o debate sobre a aplicação do “mecanismo do Estado Direito” a esta “suposta violação” pela Polónia, mas conhecendo o que se passou perante a implantação dos mecanismos da ditadura húngara, nada irá acontecer.
O Partido Direito e Justiça declara-se “eurocéptico”, mas cumpre papéis estratégicos que se tornaram fundamentais para a União Europeia no formato actual: é um aliado fulcral da política alemã, é um dos gendarmes que assegura a manutenção do regime fascista na Ucrânia, é um ponta de lança insubstituível nas acções de provocação à Rússia, governa uma grande potência determinante na transposição dos centros de decisão da União Europeia para Leste, sustenta as políticas agressivas e de tendência igualmente neofascistas dos países do Báltico e da Eslováquia. É significativo que o actual presidente do Conselho Europeu seja Donald Tusk, ex-primeiro ministro polaco e um dos maiores responsáveis para criação de condições que permitiram a subida dos fascistas ao poder no seu país.
Enquanto muitos políticos europeus debatem hoje a maneira de travar o passo à ascensão fascista de Marine Le Pen em França, o fascismo implanta-se sem restrições no Leste da Europa, a região onde tem raízes mais profundas e que não foram extirpadas durante os 70 anos que já passaram sobre o fim da última grande guerra.
 

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

O RETORNO DA MORDAÇA FRANQUISTA


 
O senhor Mariano Rajoy é o franquismo sem Franco, é um herdeiro mal polido dos golpistas de 36, a mistura tenebrosa de Escrivá de Balaguer com Milton Friedman, um fantasma errante do Vale de Los Caídos que continua a assombrar os espanhóis, um rasto fedorento da Santa Inquisição.
É sabido que os fascismos ibéricos souberam prontamente cobrir-se com os mantos do pluralismo político de maneira a recuperarem as condições para restaurarem as essências dos velhos poderes em versões modernizadas, imitações cada vez menos fiéis da democracia. Como se não tivesse havido uma revolução em Portugal ou uma “transição” em Espanha. Não é difícil identificar onde se acoitaram as mentalidades fascistoides em Portugal e em Espanha. Sendo que neste país, por não ter havido um corte revolucionário, o Partido Popular nem precisou de se travestir de “centrista” ou até de “social-democrata”; bastou-lhe sinalizar que era de “direita democrática” para os franquistas nele pousarem os olhos e se acomodarem.
Agora, como sinal dos tempos em que se torna cada vez menos necessário invocar a democracia porque esta e a “liberdade do mercado” se tornaram sinónimos, o senhor Rajoy e o seu PP nem se dão ao trabalho de disfarçar a veia onde lhes corre o sangue do autoritarismo, assim activada porque os sinais de que a vontade popular e o Partido Popular são como azeite e água, não se misturam, são cada vez mais evidentes.
O senhor Mariano Rajoy, feito poder que pretende eternizar-se a par de uma monarquia corrupta que é ilegítima há pelo menos 80 anos e, quiçá, como o próprio Generalíssimo, aproveita o seu poder parlamentar para se armar com leis que minam o poder democrático. A mais recente, entrada em vigor a 1 de Julho, é a que inclui medidas para garantir a “segurança do Estado” – esse Estado reduzido ao desempenho penoso das funções que os senhores privados e a igreja não desejam, por não serem negócios lucrativos – e que, pelo seu conteúdo, ficou popularmente conhecida como “lei da mordaça”.
“Mordaça” porque inibe os cidadãos de expressarem publicamente as suas opiniões sobre os comportamentos das entidades policiais. Em boa verdade é mais do que uma “lei da mordaça” – é um hino ao Estado policial. Uma mulher que publicou no Facebook uma fotografia de uma viatura policial estacionada abusivamente num lugar para deficientes foi multada em 800 euros; um historiador teve problemas com as autoridades por ter declarado, no uso do seu direito de crítica e de liberdade de expressão, que serviços policiais se comportaram como “uma casta de desocupados”. Nos termos da nova lei é proibido convocar manifestações através das redes sociais – foi assim que nasceu o movimento Podemos – e fazer concentrações junto de lugares públicos, como o Parlamento e as instalações de poder local. E ai de quem publicar fotografias de agentes policiais em acção!
Apesar dos incentivos à eternização no governo que tem recebido como recompensa pela submissão aos credores e aos gangs da especulação financeira, mau grado a muralha de autoritarismo atrás da qual se tem barricado, o senhor Rajoy, mestres e lacaios têm pela frente povos de um país a quem ainda devem uma República, a quem continuam a pretender negar a plena afirmação dos seus direitos nacionais, povos cansados de desemprego, de arbitrariedade, de manipulação e dos medos cultivados para os acorrentar.
Pense-se nesta “lei da mordaça”, nas tentativas de restauração de um Estado policial, comparem-se com a ira crescente dos povos de Espanha e não será difícil deduzir que os sinais dados pelo governo neofranquista são mais de desespero que de força.
Os povos de Espanha estão longe de se conformarem frente a estes franquistas tão mal disfarçados que nem o bigode lhes falta.