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terça-feira, 1 de março de 2016

DESCARAMENTO E BOMBAS NUCLEARES



A ditadura fundamentalista e terrorista da Arábia Saudita está a comprar bombas nucleares ao Paquistão, país a quem financia mais de metade do programa militar atómico; e não se escutou, até ao momento, uma única palavra dos dirigentes mundiais, usualmente tão zelosos a denunciar ocorrências que os incomodam, mesmo que algumas não passem de pretensas ocorrências.
Da Arábia Saudita sabemos, por exemplo, que nas últimas semanas tem multiplicado ameaças de invadir a Síria, juntamente com a Turquia – país da NATO – em socorro dos grupos terroristas que ambos os países armam e financiam.
Ficámos a saber agora, pela voz de Daham al-Anzi, comentador político saudita, que a Arábia Saudita possui bombas nucleares. A declaração, peremptória, foi feita em entrevista ao Rússia Today, embora continue a ser um segredo para grande parte dos que habitam o planeta.
A Arábia Saudita é signatária do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, o que parece não ser um estorvo. O importante, de acordo com o pretexto invocado pelos magnatas sauditas, é conter a ameaça iraniana que eles dizem estender-se através do Iraque, da Síria e do Iémen.
Ainda temos lembrança do sururu mundial que foi a suposta estratégia do Irão para se dotar de um programa nuclear militar, coisa que, a bem dizer, nunca chegou a ser provada. Levantaram-se sanções, proferiram-se ameaças de vários azimutes, de Washington à subserviente Bruxelas, expediram-se flotilhas de drones, assassinaram-se cientistas iranianos em série; Israel, pela voz de Benjamin Netanyahu, ainda hoje clama contra essa provável efabulação, mas da sua boca não se ouviu ainda qualquer reparo ante a notícia da nuclearização militar do mais belicista dos regimes árabes. Nem a Netanyahu, nem a Obama, Juncker, Merkel, Hollande, Cameron… etc, etc.
Ouviram-se algumas palavras, sim, sejamos justos. De Itália, da ministra da Defesa Roberta Pinotti, representante do governamental Partido Democrático. Interrogada sobre o facto de o seu país ser um dos principais fornecedores de armas ao governo terrorista saudita, e tal facto poder violar o Tratado sobre Comércio de Armamentos, de 2013, respondeu que “seria um grave erro transformar os nossos aliados contra o Estado Islâmico em nossos inimigos”. Nunca é excessivo lembrar quem são os “nossos aliados”, e a ministra italiana teve esse cuidado: a Arábia Saudita é um deles e, por acaso, ajuda-nos a combater o terrorismo ao mesmo tempo que o arma e financia. Enquanto isso, pode armazenar as armas nucleares que quiser.
Para tirar proveito efectivo de tais armas é necessário ter os meios adequados. Não seja por isso. A Arábia Saudita é o principal cliente do consórcio europeu (Itália, Alemanha, Reino Unido e Espanha) que produz os caças-bombardeiros Tornado. Nessa qualidade, passou a integrar a agência da NATO que gere os caças europeus, a Nato Eurofighter and Tornado Management Agency. E por maioria de razão, uma vez que o regime saudita possui agora o dobro desses aparelhos em comparação com a Royal Air Force (RAF). São já 250 em poder dos senhores da guerra de Riade, vendidos pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido. Além disso, a generosa família real saudita acaba de pagar mais oito mil milhões de euros ao mesmo consórcio europeu por conta de 28 aparelhos Eurofighter Typhoon que vai oferecer ao Koweit, ignorando-se se esta outra ditadura islâmica virá a receber também bombas nucleares. Do que não há dúvida é que os aviões de guerra envolvidos em tais transacções possuem, entre as suas inegáveis capacidades mortíferas, a de poder lançar armas essas armas de extermínio.
Estamos agora aptos a entender o silêncio mundial perante a entrada da Arábia Saudita no selecto clube nuclear, que se estende à comunicação social dominante, tão diligente no caso do Irão e que agora deixou passar sob os narizes a inquietante confissão do analista saudita.
A omissão de Israel nada tem de anormal. Há muito que se conhece a aliança tácita entre os regimes fundamentalista hebraico e islâmico, levado operacionalmente à prática nas chacinas cometidas no Iémen por pilotos israelitas aos comandos de caças sauditas, e também no apoio a grupos terroristas infiltrados na Síria.
Dos Estados Unidos e da União Europeia seria importante conhecer a opinião sobre o assunto. De Itália veio a versão da ministra Pinotti, segundo a qual, em matéria humanitária, o país “é enormemente credível e respeitado”. Porém, isso não chega: gostaríamos de saber se Washington e Bruxelas, Berlim, Londres e Paris, pelo menos esses, levam assim tão longe o descaramento.
 

domingo, 31 de janeiro de 2016

EUROPA PERDE O RASTO DE 10 MIL CRIANÇAS REGISTADAS COMO REFUGIADOS


 
Foto de Darko Vjinoviv (AP)

Dez mil crianças que chegaram à Europas fugidas dos conflitos no Médio Oriente despareceram sem deixar rastos, podendo muitas delas estar a ser exploradas como escravas sexuais e laborais no âmbito de uma sofisticada “rede criminosa pan-europeia”, admite a Europol, agência policial da União Europeia. Os desaparecimentos ocorrem já depois de as crianças serem registadas pelas autoridades dos Estados europeus.
Mais de cinco mil das crianças desparecidas foram registadas em Itália; pelo menos mais mil na Suécia. A Europol começa agora a aperceber-se de gangs para “exploração do fluxo migratório” actuando, designadamente, na Alemanha e na Hungria, conhecimento decorrente da ocorrência frequente de “conflitos cruzados” entre grupos de criminosos que estão particularmente activos na chamada “rota dos Balcãs”. “Há prisões na Hungria e na Alemanha onde a maioria dos detidos são membros de redes de exploração de refugiados”, revela Brian Donald, director da Europol, agência de polícia europeia.
Segundo Donald, cerca de 27 por cento de um milhão de refugiados entrados na Europa durante 2015 são crianças, o que significa 270 mil. “Nem todas viajam sozinhas”, acrescenta, mas o número das que chegam nessa situação e estão dadas como desaparecidas é aproximadamente dez mil, de acordo com “perspectivas conservadoras”. Donald admite que muitas ter-se-ão reunido a membros da família, outras não, mas em todos os casos “não sabemos onde estão, o que fazem ou com quem”.
O jornal britânico The Observer, o único dos chamados “jornais de referência” europeus que dedica especial atenção a esta tragédia humanitária, relata, por exemplo, o caso das mil crianças chegadas em Setembro passado ao porto sueco de Trelleborg. Todas elas desapareceram durante o mês seguinte e um relatório oficial revelado há uma semana reconhece que as autoridades têm “muito pouca informação sobre o que acontece depois de desaparecerem”. No Reino Unido duplicou em 2015 o número de crianças desaparecidas depois de registadas pelos serviços de asilo.
“Estamos perante a forma mais tenebrosa de tráfico de seres humanos e constatamos que, na prática, a resposta comunitária a tal fenómeno está muito longe de corresponder à sua gravidade”, afirma um funcionário da Comissão Europeia em Bruxelas. “Nunca como agora foi tão forte a fiscalização dos cidadãos e a cooperação entre os serviços de informações mas, ao que parece, as prioridades são outras que não a preocupação com as mais vulneráveis das vítimas de conflitos nos quais a União Europeia tem inegáveis responsabilidades”, sublinha a mesma fonte.
Maryian Berket, responsável da Organização para a Cooperação e Segurança na Europa (OSCE), reconhece exactamente isso: “os menores desaparecidos das regiões de conflito são, de longe, a população mais vulnerável”, afirma.
O director da Europol revelou que agência já possui provas de que um dos destinos das crianças desaparecidas depois de registadas é o circuito das redes de exploração sexual de menores. Ainda segundo Brian Donald, os motivos mais fortes para as guerras de gangs exploradores de refugiados são as disputas de menores para a escravatura sexual e laboral.
“Aqueles que estão nas nossas bases de dados como responsáveis por tráfico de seres humanos começam agora a aparecer também como envolvidos em tráfico de refugiados”, admite o director da Europol. Fontes em Bruxelas salientam que a existência prévia dessas informações e a falta de protecção inerente à condição de refugiado em busca de asilo devia ter suscitado a adopção de medidas prévias pelas autoridades. “Era inevitável que as redes de tráfico de seres humanos iriam tirar proveito do maná oferecido pela vaga de refugiados”, afirma um alto quadro do Conselho Europeu. “Como é possível falar-se tanto na defesa do nosso civilizado modo de vida e permitir-se que milhares de crianças que buscam refúgio no espaço da União encontrem trágicos destinos depois de registadas pelas autoridades em países europeus?”, interroga-se.
Brian Donald admite que a estrutura criminosa “sofisticada” tem vindo a desenvolver-se durante os últimos 18 meses, o período em que o fluxo migratório atingiu a maior intensidade, visando precisamente “tirar partido” dessa circunstância.
O chefe da Europol considera agora que é indispensável a “vigilância da comunidade” perante este fenómeno. “Estas crianças estão na comunidade e se são vítimas de abuso são-no dentro da comunidade”, diz. “Elas não se esfumaram no ar e foram levadas para o meio da floresta; estão no interior da comunidade. As populações devem estar alerta para isso”.
 
 

 

 

domingo, 17 de janeiro de 2016

LÍBIA: DEPOIS DO TERROR, O TERROR


 

A NATO “está prestes a intervir na Líbia”, anuncia o secretário-geral da organização, Jens Stoltenberg. Segundo uma resenha obtida de várias fontes, a acção já começou: mil britânicos dos serviços de operações especiais estão no terreno; Londres reforçou com 10 Tornados e seis Typhoon o seu dispositivo aéreo em Chipre; comandos da Navy Seal dos Estados Unidos chegaram também à Líbia. Prevê-se que um total de seis mil marines norte-americanos e tropas de vários países europeus (da União Europeia) participem na operação, que envolve carros de assalto, artilharia pesada, aviação e forças navais. A NATO regressa oficialmente à Líbia, país que deixou em destroços, cinco anos e 120 mil mortos depois.
Há poucos dias, em 8 de Janeiro, o AfriCom, comando das forças norte-americanas em África, expôs o seu “plano quinquenal” de intervenção manifestando-se pronto para “afrontar as ameaças crescentes provenientes do continente africano”. Entre os objectivos está o de “concentrar esforços no Estado falhado da Líbia, contendo a instabilidade no país”.
Descodificando:
A NATO volta a intervir na Líbia, país que desmantelou há cinco anos “para instaurar a democracia”, agora, na verdade, para retomar o controlo dos campos petrolíferos que, um após outro, têm caído nas mãos da organização terrorista Estado Islâmico, ou Isis, ou Daesh, mercenários que no Magrebe, segundo a Interpol, são comandados pelo líbio Abdel Hakim Belhadj. Os extremistas ditos “islâmicos” encaminham-se agora de Syrte em direcção à maior refinaria do Norte de África, a de Marse-el-Brega.
Ao contrário do que aconteceu em 2011, a NATO ocupa-se agora também da guerra terrestre, e não é difícil perceber porquê: em primeiro lugar, os seus aliados de há meia década, os grupos terroristas que convergiram no Estado Islâmico, são agora seus rivais no controlo sobre as riquezas petrolíferas líbias, as maiores reservas de África; em segundo lugar, tratando-se de instalações petrolíferas não há que confiar em absoluto na “cirurgia” dos bombardeamentos aéreos, é preciso dar o corpo ao manifesto recorrendo a rambos de várias especialidades.
Petróleo é sempre petróleo e se em 2011 a NATO e os terroristas tomaram Tripoli graças a operações nas quais foram sacrificadas as vidas de mais de cem mil civis, agora é preciso recuperar as refinarias com os menores danos materiais possíveis, de preferência intactas, isentas de custos de restauração.
Formalmente a operação da NATO vai desenrolar-se sob comando italiano, a potência colonial tradicional da Líbia. Na prática decorrerá sob a cadeia de comando da NATO e controlo norte-americano. A aliança terá à sua disposição todas as bases e estruturas italianas, principalmente as de Vicenza e Nápoles, onde funcionará o centro de operações sob comando de um almirante dos Estados Unidos subordinado ao supremo comando aliado na Europa, também em mãos norte-americanas.
“Chegámos, vimos e ele morreu”, exclamou em risada aberta a cesarina Hillary Clinton, candidata presidencial então em funções de secretária de Estado de Obama, em 2011, depois do assassínio de Muammar Khadaffi. Uns tempos antes, o mesmo Khadaffi, em conversa telefónica com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, agora divulgada, preveniu que “se eu for derrubado será a jihad (“guerra santa”) na Líbia”, ou seja, o terror e o caos. Em 2011 quando os terroristas islâmicos tomaram o poder em Tripoli sob a protecção da NATO, a aliança nomeou comandante militar da capital o atrás citado Abdelhakim Belhadj, actualmente o chefe do Estado Islâmico no Magrebe e que há menos de dois anos foi recebido em Paris no Ministério dirigido por Laurent Fabius. Isto é, a NATO além de prevenida fez com que se cumprisse o vaticínio catastrófico do defunto.
A guerra da NATO regressa oficialmente à Líbia, onde nunca deixou de estar em cinco anos. Bem vistas as coisas, o Estado “falhado” líbio é apenas um pretexto e poderá continuar à espera, pois tem-se mantido assim desde que a Aliança Atlântica meteu as mãos no país. E a democracia já nem faz parte do discurso oficial.
É apenas terror, seja qual for o lado do conflito. É apenas petróleo.
 
 

sábado, 10 de outubro de 2015

NATO, JOGOS DE GUERRA, TERRORISMO E FASCISMO


 

NATO e Hungria vão tratar dos refugiados
A polícia de choque global, também conhecida por NATO, está numa fase das mais trauliteiras da sua história, superando os próprios e mais sinistros recordes, além de alargar o raio de acção em presença, eficácia, mobilidade e número de efectivos. Dos jogos de guerra no flanco sul, em áreas de intervenção às vezes também conhecidas pelas designações de Portugal, Espanha e Itália, agora considerados ainda mais importantes devido à “crise dos refugiados”, à proliferação de quartéis-generais em redor das fronteiras russas, ao reforço dos contingentes operacionais na Turquia ditado pelas operações russas contra os mais activos grupos terroristas, à multiplicação por três dos meios da “força de resposta” – A NATO nunca ataca, limita-se a responder – os gendarmes atlantistas não descansam na missão suprema, dir-se-ia divina, de preservar a democracia formatada pela ditadura financeira.
Numa comunicação feita há poucas horas, o social-democrata norueguês Jens Stoltenberg, destacado em funções de secretário-geral da aliança expansionista, anunciou que os efectivos da “força de resposta” vão ser aumentados para 40 mil apenas um ano depois de, em Gales, os expoentes doutrinários os terem fixado em 13 mil. O que mudou em menos de 365 dias exigindo esta ampliação exponencial? Stoltenberg respondeu por metade: o aparecimento da “crise dos refugiados”, decorrente das convulsões a sul “do nosso flanco sul”. Quanto à outra metade, o secretário-geral foi omisso, mas nem precisou de ser explícito. A Rússia é a Rússia e agora não lhe bastava ter a querida “democratização” da Ucrânia debaixo de olho como se atreveu a ir combater o terrorismo no Médio Oriente, esse mesmo terrorismo que a NATO enfrenta heroicamente – e com tanta eficácia que os resultados da “primavera árabe” são os que estão à vista de todos.
No quadro da nova situação provocada pela “crise dos refugiados”, uma tragédia humanitária que para os governos dos membros da NATO é assunto a tratar manu militari, a aliança decidiu criar mais dois quartéis-generais em países para lá da antiga “cortina de ferro”. Tratando-se de refugiados, a NATO não poderia ter escolhido melhor a localização das duas novas estruturas operacionais: a Hungria e a Eslováquia, onde dois governos fascistas tratam como terroristas os que fogem da guerra em luta pela sobrevivência. A intimidade da NATO com o fascismo não é de fresca data, não se evidencia apenas na Ucrânia, na Hungria, em Estados do Báltico. Ela foi inscrita no seu código genético ao ter como fundador – logo como grande defensor da democracia – o Portugal salazarento. Por isso, quando um nazi como Anton Gerashenko, conselheiro do ministério do Interior de Kiev, apela ao Estado Islâmico para combater os russos seja no Cáucaso seja no Médio Oriente, em nome da democracia e da sharia (vertente política da ortodoxia islâmica), mais não faz do que respeitar o espírito de missão dos tutores atlantistas. O mesmo Gerashenko que, poucos segundos depois da queda sobre a Ucrânia do avião que fazia o voo MH17, anunciou que fora derrubado por um míssil russo. Uma sentença que ficou como versão oficial, em que ninguém acredita mas prevalece, quanto mais não seja porque é a da NATO e o que a NATO diz não se discute.
Para os que não estar a par do afã expansionista – e defensivo, claro – da NATO lembro que os quartéis-generais na Eslováquia e na Hungria vêm juntar-se aos que já funcionam na Bulgária, na Estónia, na Letónia, na Lituânia, na Polónia e na Roménia, sem contar com o servilismo do governo de Kiev, o qual integra a aliança sem lhe pertencer. O cerco à Rússia é evidente, comprovando-se assim que a NATO é uma instituição de cariz absolutamente defensivo através do respeito estrito por aquela máxima que não é apenas futebolística: a melhor defesa é o ataque.
Por isso, uma nota também sobre os exemplos mais recentes das acções defensivas da NATO e respectivas consequências. Foi em actos de defesa pura que a NATO atacou o Afeganistão, o Iraque, a Líbia e que desencadeou a guerra civil na Síria, tal como esfrangalhara a Jugoslávia. Então, quando o secretário-geral Stoltenberg se queixa da “crise dos refugiados” como resultante das “convulsões” no sul do “nosso flanco sul”, saibam todos que a NATO nada tem a ver com isso, apenas alarga a sua presença e reforça a sua eficácia para se defender do maldito e insidioso terrorismo, o qual a NATO nunca treinou e financiou, nem nunca foi, como agora também não é, seu aliado na Líbia, no Iraque, no Afeganistão, na Síria, na Bósnia-Herzegovina, no Kosovo…
 

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

TRINITY, LITTLE BOY, FAT MAN…


 
 
Trinity, Little Boy, Fat Man… Ou Trindade, Rapazinho, Homem Gordo, três designações inócuas e inocentes para um dos maiores crimes contra a humanidade, por certo o maior crime de guerra que continua impune.
Três nomes inócuos e inocentes para três bombas nucleares paridas pelo chamado Projecto Manhattan, em segredo máximo e através de financiamentos clandestinos inspirados em práticas mafiosas de lavagem de dinheiro. Dois mil milhões de dólares foi quanto custou a produção dos três primeiros protótipos de bombas atómicas construídas pelos Estados Unidos, duas das quais foram testadas, por exigência do presidente Truman, nas cidades japonesas de Hiroxima e Nakasaki, tragédias sobre as quais se completam agora 70 anos de luto universal.
A Alemanha nazi rendera-se; a Itália fascista também; o Japão nacionalista estava de rastos, negociando nos bastidores, com as potências vencedoras, a sua rendição. De acordo com versões coincidentes de numerosos historiadores, Tóquio pretendia somente salvaguardar a figura do imperador, circunstância com significado interno mas sem qualquer repercussão externa ou de índole militar.
O uso da bomba de urânio sobre Hiroxima, em 6 de Agosto de 1945, e da bomba de plutónio sobre Nakasaki, em 9 de Agosto, não era necessário para ganhar uma guerra cujo desfecho estava decidido. O sacrifício de centenas de milhares de japoneses inocentes foi o investimento feito pelo complexo militar-industrial norte-americano para mostrar quem ganhara efectivamente a Segunda Guerra Mundial e, sobretudo, quem iria ganhar as guerras seguintes, isto é, quem iria reinar imperialmente sobre o mundo. Essas eram então as circunstâncias.
Por razões estratégicas que se relacionam com os grandes avanços das investigações científicas nos processos da cisão nuclear e das reacções em cadeia, a corrida à bomba atómica mobilizou a Alemanha e os aliados nos últimos anos da guerra. Os Estados Unidos, que entraram tardiamente na guerra, estavam na frente graças aos trabalhos de cientistas de várias nacionalidades, entre os quais se destacou Julius Oppenheimer, de ascendência alemã, a quem Roosevelt entregou a chefia do Projecto Manhattan, nome de código para a produção da bomba atómica em instalações secretas construídas em Los Alamos, no Novo México. Los Alamos não existia, a não ser como uma posta-restante: “1663 Santa Fe”.
Do projecto resultaram três protótipos. Um deles, Trinity, foi testado em segredo no deserto, perto de Alamogordo, em 16 de Julho de 1945. A guerra na Europa terminara havia dois meses e caminhava para o fim na Ásia. Pode afirmar-se, sem erro, que apesar dos avanços científicos a bomba atómica chegou atrasada à Guerra Mundial. Truman sucedera a Roosevelt por morte deste e a sua administração desdobrou-se em pretextos para testar os dois outros protótipos ainda em cenário real, como sinal de superioridade global. Oppenheimer calculara que o lançamento de uma bomba atómica sobre uma cidade poderia provocar cerca de 20 mil mortos. Vaticínios conservadores, dir-se-ia hoje. Em Hiroxima, sob o impacto de Little Boy, morreram mais de cem mil pessoas nos dois primeiros dias e ainda há seres humanos que morrem hoje devido ao efeito continuado das radiações, incluindo pessoas que herdaram de pais e avós as degenerações genéticas por elas provocadas. Em Nakasaki, sob o impacto de Fat Man, perderam a vida entre 60 mil a 80 mil pessoas nos primeiros dias. A primeira foi lançada em 6 de Agosto: deveria ter sido em 1 de Agosto, mas um tufão alterou os planos; a segunda abateu-se sobre Nagasaki, mas deveria ter sido sobre Kokura: tal não aconteceu devido ao facto de esta cidade se encontrar sob céu nublado. Pelo carácter fortuito das decisões percebe-se que não foram tomadas em função de necessidades objectivas de guerra, mas sim pelo desejo arrogante de intimidar tanto inimigos como aliados.
Os segredos de Los Alamos não tardaram a tornar-se de Polichinelo. Hoje há 17 mil ogivas nucleares no mundo, segundo organizações de físicos norte-americanos, desconhecendo-se se esse número inclui ou não as de países, como Israel, que escondem as suas capacidades. Todas elas multiplicam exponencialmente o potencial de morte das três estreantes. O sacrifício das populações de Hiroxima e Nagasaki foi em vão. Um conflito nuclear na actualidade não deixará ninguém em condições de registar quem o ganhou, porque não terá vencedores.
 
 
 

domingo, 12 de julho de 2015

A MISSÃO DO EURO



Os europeus e o mundo em geral, embalados pelas lengalengas da comunicação social tecendo as opiniões à medida do hábito do império do dinheiro, continuam com o olhar fixo na Grécia – ou melhor, naquilo a que, como cúmulo da ironia, costuma designar-se o futuro da Grécia – tendendo a ignorar as decisões de fundo que continuam a jogar-se e envolvem, no mínimo, todo o espaço europeu. É a velha história, neste caso, de sobrevalorizar a árvore em detrimento da floresta.
É grave o que se passa na Grécia, será gravíssimo o que irá passar-se noutros países, entre os quais Portugal, independentemente do que venha a acontecer na Grécia. À boleia da crise grega foram postas em cima da mesa situações no âmbito da Zona Euro e da própria União Europeia que, a partir de agora, não poderão ser varridas para debaixo do tapete pela senhora Merkel, pelo senhor Schauble e até pelos hoje desavindos Renzi e Hollande, os quais não tardarão a regressar em boa ordem ao redil.
A primeira dessas situações, e absolutamente fulcral, é a evidência da verdadeira estratégia imposta pela Alemanha em Maastricht e que teve como consequência a exportação da política monetária alemã, através do Euro, a mais de metade dos países da União Europeia, independentemente dos seus estados de desenvolvimento económico. Os chamados critérios de convergência a que os países foram obrigados para se integrarem na Zona Euro meteram no mesmo saco nações pobres, remediadas ou ricas, nações importadoras ou exportadoras – neste caso uma única, a Alemanha.
Hoje, mui doutos analistas sentenciam salomonicamente que se os gregos defendem os seus interesses também é democrático que os alemães defendam os seus. Uma doutrina muito pragmática, tecnocrática como estipulam os cânones da modernidade, embora deva ser acompanhada por um pequeno reparo: os gregos defendem-se da ganância alemã; os alemães entendem como seus os interesses dos restantes europeus. E o Euro é uma arma fundamental dos interesses alemães encarados com esta abrangência.
O Euro é causa e efeito da tragédia grega e do efeito de dominó que já atinge muitos outros países europeus. Até a própria Alemanha, que se julga hoje imune aos efeitos de uma qualquer solução grega e mais tarde ou mais cedo perceberá o erro de cálculo que é o de humilhar com exigências em cima de exigências os povos que são, ao mesmo tempo, os principais compradores dos produtos que a sua economia exporta.
Para quem ainda tenha dúvidas sobre o efeito de dominó que resultará da explosão do Euro – na sua versão actual a 19 países – chamo a atenção para o facto de na sombra da estratégia de Merkel e de Schauble estar Otmar Issing, ex-administrador do Banco Central Europeu, conselheiro do famigerado Goldman Sachs, como é de bom-tom, e que foi em 2012 o ideólogo da condenação dos PIIGS, como estão lembrados a doutrina de expulsão da Zona Euro de países como Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha. Talvez se perceba agora melhor a recente exclamação do primeiro-ministro italiano, Mateo Renzi, pedindo que “deixe de se humilhar a Grécia”. Ele sabe que o seu país está na fila para o mesmo destino e pelo menos admite-o implicitamente, ao contrário de outros capazes de seguir a Alemanha até ao fim do mundo, neste caso até aos descalabros dos seus próprios países.
Sejam quais forem as medidas que venham a ser anunciadas a propósito da Grécia, uma conclusão pode avançar-se já: o prazo de validade do Euro, tal como foi inventado em Maastricht à imagem e semelhança do Marco alemão, está a esgotar-se. Cumpriu, contudo, a tarefa histórica pretendida por quem o inventou: partir dos critérios de convergência para a instauração do regime da austeridade, entendido como a mais violenta regressão em direitos sociais e humanos registada na Europa moderna.


quarta-feira, 1 de julho de 2015

DRAGHI, O ANJO EXTERMINADOR


Onde estava Mário Draghi, presidente do Banco Central Europeu, a entidade que executa as ordens dos credores para asfixiar o povo grego, quando se teceram as malhas fraudulentas que ajudaram a trepar a dívida soberana da Grécia aos níveis estratosféricos em que se encontra?
Consultando o seu currículo profissional apura-se que, durante os primeiros anos do século, Mário Draghi foi o vice-presidente para a Europa do banco norte-americano Goldman Sachs, o tal que “governa o mundo”, de acordo com alguma comunicação social que não enferma de quaisquer doenças de esquerda, e pelo qual passaram ainda nomes sonantes envolvidos nas malfeitorias da União Europeia e da troika, como é o caso doméstico do secretário adjunto do primeiro ministro de Portugal em exercício, Carlos Moedas.
Nessas funções, Draghi tinha sob a sua alçada as relações do Goldman Sachs com as empresas e os países europeus. O actual presidente do Banco Central Europeu é, sem qualquer dúvida, um dos responsáveis pelas manobras realizadas a partir de 2001 pelo Goldman Sachs e os gestores gregos para esconderem a dimensão da dívida de Atenas de modo a enganar Bruxelas e a mascarar a grosseira violação pela Grécia dos critérios de convergência estabelecidos no Tratado de Maastricht.
A história foi descoberta e contada há tempos por órgãos de comunicação como a Der Spiegel, o New York Times, a BBC, a própria Bloomberg, catedrais do neoliberalismo reinante, pelo que até as consciências virgens e tão incomodadas com os supostos gastos sumptuosos que o governo grego pretende renegociar deviam por de lado as hipócritas e convenientes amnésias.
Sob a tutela do actual presidente do Banco Central Europeu, Mário Draghi, na primeira década do século o Goldman Sachs providenciou empréstimos à Grécia envolvendo swaps cambiais com valores fictícios de mercado – imagine-se, nem o mercado escapou – que praticamente duplicaram a dívida grega ao banco. Só entre o momento do primeiro acordo e o dia da assinatura, estava-se então em Junho de 2001, as fraudulentas trocas de swaps em ienes e dólares por euros, a taxas falsas, fizeram crescer a dívida grega em 600 milhões de euros, ao mesmo tempo que os descomunais excessos desta desapareciam dos radares de Bruxelas. Além disso, o banco norte-americano cobrou grossa comissão para por em prática tal engenharia financeira
Os gestores da dívida grega confessaram depois que assinaram de cruz porque não se aperceberam da complexidade e dos alçapões do acordo. Pediram então ao Goldman Sachs uma renegociação dos reembolsos e este banco, generoso como sempre, envolveu novos produtos tóxicos que agravaram a situação. Não contente com isso, precavendo-se de um eventual incumprimento grego, tratou de vender os swaps ao Banco Nacional da Grécia, presidido por Petros Christodoulos, um gestor com afinidades ao citado banco norte-americano e que depois passou a gerir a dívida grega. Como se percebe, o actual presidente do Banco Central Europeu esteve em todas.
Não se julgue que Mario Draghi era um estreante nestas actividades, que já testara no seu país natal, a Itália. Quem o explica é o ex-presidente Francesco Cossiga. Segundo ele, Draghi favoreceu a Goldman Sachs em contratos importantes quando exercia funções de diretor do Tesouro, numa altura em que avançava a todo o vapor o processo privatizador italiano.
Conta-se que em 2010, quando a crise explodiu e tramoias como estas se tornaram conhecidas, a senhora Merkel comentou que “será um escândalo quando se descobrir que os mesmos bancos que nos deixaram à beira do abismo ajudaram a falsificar as estatísticas”.
Disse “escândalo”? Não se incomode! Lukas Papademus, governador do Banco da Grécia quando tudo foi congeminado, tornou-se primeiro-ministro grego não eleito, indicado pela senhora Merkel para substituir Papandreu e cumprir as ordens de Bruxelas e da troika para combater a dívida – com os resultados que estão à vista.
E o homem que esteve ao leme de tudo, Mário Draghi, foi recompensado com o lugar de presidente do Banco Central Europeu, a instituição que – sob ordens do governo de Merkel e dos credores agiotas em geral – fustiga o povo grego para o fazer pagar uma dívida que ele ajudou a mascarar enquanto contribuía para a aumentar desmedidamente. É nesta Europa que estamos, à mercê de traficantes de humilhação e miséria como Mário Draghi.
Lloyd Blankfein, o número 1 do Goldman Sachs e um dos responsáveis pelas fraudes que catapultaram a dívida grega para os níveis actuais, costuma dizer que é “um banqueiro a fazer o trabalho de Deus”. Sendo assim, Mário Draghi é o seu anjo exterminador.



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terça-feira, 16 de junho de 2015

ILARIA ALPI E A SUÁSTICA NO RELVADO


Passam 21 anos e alguns meses entre o assassínio da jornalista italiana Ilaria Alpi e do seu câmera Milan Hrovatin na Somália e o aparecimento de uma cruz suástica desenhada no relvado de um estádio croata para um jogo à porta fechada, punição devida à singela explicação de que “os adeptos croatas entoam cânticos racistas”.
O que tem uma coisa a ver com a outra? Nada, pensarão os consumidores militantes de telejornais; que ideia absurda, exclamarão alguns grandes editores, que provavelmente não sabem quem foi a sua corajosa colega Ilaria Alpi.
Ora uma coisa tem a ver com a outra, e muito, porque faz parte da ordem natural das coisas no mundo que nos governa.
O nazismo na sua versão croata, agora o “neo-ustachismo”, está vivo e recomenda-se. É a ideologia do “pai fundador” da “Croácia moderna” - garboso membro União Europeia, pois claro - Franjo Tudjman, que tem na actual presidenta, Kalinda Grabar Kitarovic, uma digna sucessora. Outrora com a Alemanha de Hitler, hoje com a Alemanha de Merkel, a Croácia, ora uma província económica alemã, sofre de uma vocação supremacista dentro dos Balcãs. Os neo-ustachis estão para a Croácia como os banderistas para a Ucrânia, são os herdeiros dos colaboradores de Hitler chegados ao poder. A senhora Kalinda Grabar Kitarovic saltou para a presidência croata a partir do cargo de secretária geral adjunta da NATO e pode dizer-se que é unha e carne com a senhora Victoria Nuland, a subsecretária de Estado norte-americana que foi a operacional golpista na Ucrânia. Por isso, quando a presidente croata, numa indignação ridícula, diz que manda investigar o aparecimento de uma suástica num relvado croata para um jogo com a Itália a notícia seria para rir se tal desplante não tivesse a gravidade que tem.
Nada é mais simbólico que a exibição do nazismo croata num jogo logo com a Itália.
Ilaria Alpi, jornalista italiana, foi assassinada na Somália com o seu câmera Milan Hrovatin (por sinal de origem croata) em 20 de Março de 1994. Um corajoso documentário de Luigi Grimaldi visível na Rai 3, demonstra que os jornalistas foram assassinados pela CIA, em colaboração com a Gladio, seita terrorista nazi dentro da NATO, e com os serviços secretos italianos, por terem descoberto que a Somália era um entreposto de passagem de armas norte-americanas para a Croácia, então sustentada pela NATO na guerra para destruir a Jugoslávia. Uma guerra da qual o neo-ustachi Franjo Tudjman emergiu para a presidência do novo país. Segundo Ilaria Alpi, a CIA usava barcos da empresa Schifco, que a Itália oferecera oficialmente para desenvolvimento da pesca na Somália. Esta frota, segundo as investigações de Ilaria Alpi, era também usada para despejar resíduos tóxicos radioactivos nas águas somalis. Na altura, recorda-se, estava em curso a primeira “guerra humanitária” promovida pela NATO e os Estados Unidos, a que se seguiram Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria… Sempre em nome dos direitos humanos e da missão de salvar vidas. A justiça e os parlamentares italianos descobriram um único culpado pela morte de Ilaria Alpi, um cidadão somali que os pais da jornalista asseguram estar inocente.
Por falar em Síria, a Croácia é agora um dos países que, além de fornecer armas aos nazis ucranianos, contribui para abastecer os mercenários do tipo Al Qaida e Estado Islâmico que alimentam a guerra civil síria a soldo da NATO, Estados Unidos e amigos, pois quem havia de ser? A Croácia presidida por uma neo-ustachi devolve hoje, através da Turquia, os favores que há 20 anos lhe foram prestados, como demonstrou a jornalista Ilaria Alpi, sendo por isso silenciada.
Porque em silêncio e para silenciar quem descobre incomodidades deste tipo existe o Team 6, um super secreto sistema norte-americano de comandos denunciado pelo New York Times que pratica pelo mundo fora, onde quer que o poder global o exija, a chamada “queima de arquivo” através de assassínios selectivos.
A relação entre uma suástica num relvado croata e o assassínio de Ilaria Alpi faz todo o sentido. São sinais do mundo que temos.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

DEMOCRACIA E DIKTAT


O G7, que já foi G8 e volta a ser G7 quando isso é da conveniência de quem o inventou, é um encontro das “grandes democracias” para fazerem o balanço de como se comportam todos os outros, democracias ou não, que recebem elogios, raros e sempre verbais, e sobretudo reprimendas, severas, contundentes, dolorosas. O G7 é, por assim dizer, um tribunal da democracia, que aplica leis que não são válidas para os seus membros porque, ungidos pela própria essência da democracia, estão acima de qualquer suspeita e controlo.
Desta feita as vítimas escolhidas para se sentarem no banco dos réus foram a Rússia – despromovida do favor que em tempos lhe facultaram de haver G8 em vez de G7 – a Grécia e a Síria. Previsível, como tudo o que é controlado pelos donos absolutos da democracia. Dantes havia também o Irão, mas isso agora é outra história, ou pelo menos assim se pensa, como se verá a partir do fim deste mês. Houve ainda uns segundos, suficientes creio, para que ficasse registada em acta a preocupação destes sete magníficos com o estado miserável em que se encontra o ambiente do planeta terra. Podemos ficar descansados: o tempo utilizado foi pouco mas aproveitado até ao milésimo de segundo: o G7 prometeu fazer tudo o que estiver ao seu alcance para aliviar o mundo dos efeitos do excesso de carbono na atmosfera através de acções que serão evidentes já amanhã, isto é, em 2050.
Mais urgente, muito mais urgente, como se compreende, é por o dedo no nariz da Rússia, aplicando-lhe novas sanções pelo que se passa na Ucrânia, onde o excelentíssimo tribunal dos sete ordenou que democracia e fascismo são uma e a mesma coisa e ai de quem desobedece. Novas sanções a Moscovo e “aprofundar” o desenvolvimento da Ucrânia, isto é, estabilizar a acção da junta nazi são, no entender dos sete, as soluções que tudo irão resolver. Até a senhora Merkel, de um país onde a economia sofre assinaláveis convulsões devido à ressaca das sanções a Moscovo, acha que sim, esse é o caminho e afinal as escudas que os espiões da NSA fazem aos seus telefonemas são lógicas porque os Estados Unidos e a Alemanha são “amigos inseparáveis” e os amigos nada têm a esconder.
Também a Grécia vai ter de entrar nos eixos, ameaça o G7. Já chega de o governo Tsipras andar a tentar fintar a troika, os mercados financeiros, todos aqueles que engordam com os sacrifícios de morte impostos aos gregos. A dívida é para pagar, a austeridade é para levar até às últimas consequências, os donos da democracia estão a perder a paciência com estas rebeldias anacrónicas de querer que os povos não sejam aquilo que estão condenados a ser: paus mandados do mercado e do seu tribunal da democracia, o G7.
A cimeira do G7 revelou também a impaciência dos seus membros por chegarem a mais uma reunião e, apesar de todas as suas ordens, o impertinente Bachar Assad continuar a ser presidente da Síria, com a agravante de ter sido reeleito pelos seus concidadãos. Por isso os sete decidiram reforçar a ajuda aos terroristas “moderados”, que por sua vez canalizarão esses apoios para quem de direito, o Estado Islâmico e a Al Qaida, inimigos públicos, amigos privados. Ou seja, o G7 insiste na receita de sempre, a que desfez em cacos o Médio Oriente, para que os cacos se desfaçam em caquinhos e então os senhores da região, democracias autênticas e puras como são as de Israel e Arábia Saudita, em concerto com o regenerado Irão e os Estados Unidos, possam impor a ordem, uma nova ordem.
E pronto, o G7 fez o que tinha a fazer, chegou a hora do retrato de família, provavelmente animado pelo presidente da Comissão Europeia, que leva muito a sério o seu papel de clown político e cerimonialista. O tribunal das democracias reuniu-se, o diktat ficou escrito, que o cumpra quem tem de cumprir, porque as sanções e as guerras são o caminho certo e certeiro para a paz. Assim vai o mundo.