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domingo, 17 de janeiro de 2016

LÍBIA: DEPOIS DO TERROR, O TERROR


 

A NATO “está prestes a intervir na Líbia”, anuncia o secretário-geral da organização, Jens Stoltenberg. Segundo uma resenha obtida de várias fontes, a acção já começou: mil britânicos dos serviços de operações especiais estão no terreno; Londres reforçou com 10 Tornados e seis Typhoon o seu dispositivo aéreo em Chipre; comandos da Navy Seal dos Estados Unidos chegaram também à Líbia. Prevê-se que um total de seis mil marines norte-americanos e tropas de vários países europeus (da União Europeia) participem na operação, que envolve carros de assalto, artilharia pesada, aviação e forças navais. A NATO regressa oficialmente à Líbia, país que deixou em destroços, cinco anos e 120 mil mortos depois.
Há poucos dias, em 8 de Janeiro, o AfriCom, comando das forças norte-americanas em África, expôs o seu “plano quinquenal” de intervenção manifestando-se pronto para “afrontar as ameaças crescentes provenientes do continente africano”. Entre os objectivos está o de “concentrar esforços no Estado falhado da Líbia, contendo a instabilidade no país”.
Descodificando:
A NATO volta a intervir na Líbia, país que desmantelou há cinco anos “para instaurar a democracia”, agora, na verdade, para retomar o controlo dos campos petrolíferos que, um após outro, têm caído nas mãos da organização terrorista Estado Islâmico, ou Isis, ou Daesh, mercenários que no Magrebe, segundo a Interpol, são comandados pelo líbio Abdel Hakim Belhadj. Os extremistas ditos “islâmicos” encaminham-se agora de Syrte em direcção à maior refinaria do Norte de África, a de Marse-el-Brega.
Ao contrário do que aconteceu em 2011, a NATO ocupa-se agora também da guerra terrestre, e não é difícil perceber porquê: em primeiro lugar, os seus aliados de há meia década, os grupos terroristas que convergiram no Estado Islâmico, são agora seus rivais no controlo sobre as riquezas petrolíferas líbias, as maiores reservas de África; em segundo lugar, tratando-se de instalações petrolíferas não há que confiar em absoluto na “cirurgia” dos bombardeamentos aéreos, é preciso dar o corpo ao manifesto recorrendo a rambos de várias especialidades.
Petróleo é sempre petróleo e se em 2011 a NATO e os terroristas tomaram Tripoli graças a operações nas quais foram sacrificadas as vidas de mais de cem mil civis, agora é preciso recuperar as refinarias com os menores danos materiais possíveis, de preferência intactas, isentas de custos de restauração.
Formalmente a operação da NATO vai desenrolar-se sob comando italiano, a potência colonial tradicional da Líbia. Na prática decorrerá sob a cadeia de comando da NATO e controlo norte-americano. A aliança terá à sua disposição todas as bases e estruturas italianas, principalmente as de Vicenza e Nápoles, onde funcionará o centro de operações sob comando de um almirante dos Estados Unidos subordinado ao supremo comando aliado na Europa, também em mãos norte-americanas.
“Chegámos, vimos e ele morreu”, exclamou em risada aberta a cesarina Hillary Clinton, candidata presidencial então em funções de secretária de Estado de Obama, em 2011, depois do assassínio de Muammar Khadaffi. Uns tempos antes, o mesmo Khadaffi, em conversa telefónica com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, agora divulgada, preveniu que “se eu for derrubado será a jihad (“guerra santa”) na Líbia”, ou seja, o terror e o caos. Em 2011 quando os terroristas islâmicos tomaram o poder em Tripoli sob a protecção da NATO, a aliança nomeou comandante militar da capital o atrás citado Abdelhakim Belhadj, actualmente o chefe do Estado Islâmico no Magrebe e que há menos de dois anos foi recebido em Paris no Ministério dirigido por Laurent Fabius. Isto é, a NATO além de prevenida fez com que se cumprisse o vaticínio catastrófico do defunto.
A guerra da NATO regressa oficialmente à Líbia, onde nunca deixou de estar em cinco anos. Bem vistas as coisas, o Estado “falhado” líbio é apenas um pretexto e poderá continuar à espera, pois tem-se mantido assim desde que a Aliança Atlântica meteu as mãos no país. E a democracia já nem faz parte do discurso oficial.
É apenas terror, seja qual for o lado do conflito. É apenas petróleo.
 
 

terça-feira, 17 de novembro de 2015

PERFIL DE UM TERRORISTA DOS NOSSOS DIAS


Recebendo homenagens do senador McCain, dos amigos americanos
 
As informações estão em poder da Interpol. Deitar-lhe a mão nestes tempos em que as leis e as fronteiras não são problema para assaltos a vidas, soberanias e privacidades, seria apenas uma questão de, digamos, “vontade política”, não é assim que costuma invocar-se? O seu paradeiro não é certamente segredo para a miríade de serviços secretos que apregoam defender “o nosso modo de vida”: é a Líbia, depois de tão bem democratizada pela NATO, onde ele exerce altos cargos políticos e operacionais no governo dominante, o mesmo que invoca para si próprio “o islamismo puro”.
Nome: Abdelhakim Belhadj. A história da sua vida dava um filme daqueles bem a gosto de Holywood, tanto mais que o seu currículo – em poder da Interpol, repito – corresponde às imagens dos rambos de séries A, B ou C cujos feitos heróicos coincidem com as vontades objectivas dos Estados Unidos e de Israel, países onde os fins e os agentes escolhidos para os executar justificam quaisquer meios e o recurso a psicopatas sanguinários.
Sabe a Interpol que Abdelhakim Belhadj é, no presente, o chefe do Estado Islâmico, ou ISIS ou Daesh, no Magrebe e que, operacionalmente, criou e orienta campos de treino de mercenários assassinos na Líbia, concretamente em Derna, Syrte e Sebrata, além de um escritório do ISIS em Djerba, na Tunísia.
Antes disto, Belhadj chefiou os terroristas do Grupo Islâmico Combatente na Líbia (GICL), que em 2007 mudou de nome para Al-Qaida, mais sintonizado com os tempos. Por quatro vezes, entre 1995 e 1998, tentou assassinar Khadaffi a mando do MI6, os serviços secretos ao serviço do terrorismo de Estado britânico. Perseguido na Líbia mudou-se para o Afeganistão, onde se instalou e agiu ao lado de Ussama bin-Laden, o qual dispensa apresentações.
Como a polícia espanhola suspeita de que foi um dos mandantes do atentado ferroviário em Madrid Atocha, em Março de 2004, foi detido logo a seguir na Malásia. Como se percebe, não terá sido difícil identificá-lo e prendê-lo, porque meia dúzia de dias e milhares de quilómetros mediaram entre crime e captura. Passou então maus bocados numa prisão secreta da CIA para onde foi transferido e onde ficou alojado para experimentar as famosas técnicas de tortura – “condicionamento de comportamento”, chamam-lhe nos Estados Unidos – do professor Seligman, métodos de cujas provas a CIA tentou desesperadamente impedir a divulgação.
Abdelhakim Belhadj restabeleceu-se depressa: para ele não se seguiram penas eternas no campo de concentração de Guantanamo, também ele eterno se a este Obama se sucederem outros obamas, coisa mais do que provável. É verdade que ainda foi extraditado para a Líbia, através de um acordo entre os Estados Unidos e o regime de Khadaffi, onde voltou a ser torturado, dessa feita às mãos do MI6 que antes servira. Nestas coisas, a CIA e a sua irmã MI6 são muito ciosas, separam as águas, cada uma quer fazer a sua tarefa ainda que repetindo-se.
Khadaffi libertou-o em 2010, no quadro de uma “reconciliação nacional”, e mal teve tempo para se arrepender. Abdelhakim Belhadj viajou para o Qatar e no ano seguinte estava à frente de grupos de mercenários que, ao lado e protegidos pelos bombardeamentos da NATO – França e Reino Unido, principalmente – derrubaram e assassinaram Khadaffi. Como recompensa pelos serviços prestados, e por recomendação na NATO, o Conselho de Transição nomeou-o governador militar de Tripoli, a capital.
Belhadj não aqueceu o lugar. Ainda teve tempo, porém, para exigir e obter desculpas dos Estados Unidos e do Reino Unido pelas sevícias sofridas noutros tempos, e o que lá ia lá foi. Outras tarefas estratégicas o aguardavam. Partiu em finais de 2011 para a Síria, onde foi um dos principais fundadores do Exército Livre da Síria, os famosos “moderados” tão queridos da senhora Clinton, da NATO, da União Europeia - com destaque para a França - e dos regimes fundamentalistas do Golfo, Arábia Saudita à cabeça. O objectivo era derrubar Assad, mas Assad resiste e já lá vão mais de 250 mil mortos, milhões de refugiados e um país destroçado, massacre cujas responsabilidades nenhum intervencionista ilegal e ilegítimo assume.
Sempre sem perder tempo, Abdelhakim Belhadj regressou à Líbia natal, onde fundou um partido governante, a maneira que encontrou, num cenário de caos, para instalar os terroristas islâmicos no poder em Tripoli.
Na qualidade de figura de proa na Líbia, provavelmente já na posição de chefe do Estado Islâmico no Magrebe, que a Interpol reconhece, Abdelhakim Belhadj foi recebido em 2 de Maio de 2014 no Ministério dos Negócios Estrangeiros em Paris, tutelado por Laurent Fabius, ministro de Hollande e também um incondicional amigo de Israel.
 Laurent Fabius, exactamente: que é ainda o ministro dos Negócios Estrangeiros de Hollande nestes dias em que continuam a sangrar as feridas abertas pelo assalto às vidas dos parisienses, ao que dizem cometido pela organização de que Abdelhakim Belhadj é um dos chefes máximos.
As informações sobre este terrorista-modelo dos nossos dias e o seu currículo estão nas mãos da Interpol. “Estamos em guerra”, proclama o presidente Hollande com os acenos concordantes do chefe da sua diplomacia. Vamos então esperar pelo que se segue, para ver o que acontece.