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terça-feira, 12 de janeiro de 2016

GRUPOS NAZIS INTEGRADOS NA NATO


 
 

Membro da Guarda Nacional da Ucrânia (foto AP)
Dezembro de 2015. A NATO e o governo instalado em Kiev pelas principais potências da aliança e da União Europeia anunciaram o “roteiro” para a integração da Ucrânia na organização militar comandada operacionalmente pelo Pentágono. O cerco europeu da Rússia pelas forças armadas às ordens dos interesses económicos, financeiros e militares dos Estados Unidos da América aperta-se; e quando se diz cerco está a falar-se de um passo fundamental de uma estratégia de guerra.
A palavra “roteiro” é enganadora, especialmente neste caso. Faria supor que ainda existem algumas etapas e percorrer para que a integração seja plena. Não é isso que acontece: falta apenas anunciar a adesão, na sequência de um “referendo” em relação ao qual as sondagens prevêem desde já um rotundo “sim”. Simples formalidades, portanto.
Antes que isso se concretize, o “roteiro” determina, desde já, a integração das forças armadas e da indústria militar da Ucrânia na estrutura da NATO – o que realmente interessa nestes casos. A partir de agora, afirma a Aliança Atlântica, a Ucrânia passa a ser “um dos mais sólidos parceiros da aliança, firmemente empenhado em realizar a democracia e a legalidade”.
Democracia, legalidade: duas palavras que dizem tudo sobre este acordo, que não passa da institucionalização de mais um protectorado político-militar da NATO e da União Europeia, a exemplo do que sucede no Kosovo, na Bósnia-Herzegovina e vem ocorrendo no Montenegro.
Quanto à democracia ucraniana, são muitos os exemplos de como é plena e vigorosa. O Partido Comunista acaba de ser ilegalizado, os símbolos comunistas proibidos, o acto de cantar a Internacional é punido com cinco a dez anos de prisão, jornalistas são assassinados por esquadrões da morte, foram encerrados dezenas de jornais, milhares de websites. No país onde foram reabilitados os carniceiros que colaboraram nas chacinas cometidas pelas tropas de Hitler, a área de defesa e de segurança é agora dirigida pela componente governamental nazi, escondida nas várias máscaras do Sector de Direita, da União Patriótica e dos grupos de assalto do tipo SA hitleriano, dos quais o mais conhecido é o Batalhão Azov.
O “roteiro” estabelece, portanto, a integração de forças organizadas nazis na estrutura militar da NATO, para defesa da “democracia” e da “legalidade”. No fundo, trata-se da formalização de uma cooperação que existe há muito. Em 2006, por exemplo, grupos de jovens ucranianos que vieram a destacar-se nos dias de terror na Praça Maidan – quando foi declarada a “libertação” do país – foram treinados em práticas terroristas numa base da NATO, na Estónia. Também não é novidade que centenas de instrutores da 173ª divisão aerotransportada da NATO, colocada em Vicenza, Itália, se deslocaram à Ucrânia para treinar os bandos nazis integrados na Guarda Nacional criada pelo novo regime. O assunto nem sequer é tabu para os súbditos da NATO em Kiev. Há menos de um ano, num programa da TV alemã, o embaixador do regime ucraniano em Berlim, Andriy Melnik, explicou que grupos neonazis como o Batalhão Azov, o Batalhão Donbass e o Sector de Direita integram de facto a Guarda Nacional, e com pleno direito, uma vez que sem eles o exército russo tinha chegado muito mais longe.
Teorização que nos leva da democracia para a legalidade subjacente à integração de Kiev na NATO. Sendo a Ucrânia um país em guerra civil, decorrente da limpeza étnica e cultural que o regime tenta efectuar nas regiões de língua russa, supõe-se que a integração da estrutura militar ucraniana na NATO terá como objectivo completar esse trabalho. Ou seja, a NATO achar-se-á dotada da “legalidade” para levar o poder de Kiev a todo o país, procurando dizimar a oposição dos ucranianos que têm o direito democrático de resistir às transformações arbitrárias impostas à sombra do golpe da Praça Maidan, na Primavera de 2014. Uma limpeza étnica que começou, aliás, com o massacre na Casa dos Sindicatos de Odessa, em 2 de Maio de 2014, cometido pelos bandos de assalto nazis – hoje na Guarda Nacional – massacre esse a que as estruturas dominantes no mundo fizeram vistas cegas e orelhas moucas.  
Hordas nazis integradas na estrutura militar da NATO. Aquilo que durante décadas foi secreto, clandestino, conhecido como “Gládio” e outras designações, é hoje assumido à luz do dia, em nome da democracia e da legalidade. E dirigentes da União Europeia curvam-se perante os avanços do fascismo, até em países que sofreram este regime na carne. Matteo Renzi, primeiro ministro de Itália que dizem ser “de esquerda”, saúda o presidente golpista ucraniano, Piotr Poroshenko, pela sua “sábia liderança”. Não há maior facilitadora do triunfo dos porcos que a prosápia amnésica dos irresponsáveis.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

UNIÃO EUROPEIA BARRICA-SE ATRÁS DE MUROS


Um quarto de século depois da queda do muro de Berlim, a União Europeia barrica-se atrás de um novo muro. A História reincide, nem sequer em forma de farsa, como costuma vaticinar-se, mas sim de ausência absoluta da mais elementar ponta de vergonha. E se o desaparecimento do muro a que chamaram “da vergonha" apagou as fronteiras que remanesciam da Segunda Guerra Mundial, o novo muro ergue-se nas vizinhanças dos lugares onde nasceu a Primeira Guerra Mundial. Quem saiba ler os sinais, que os leia.
É frágil consolo dizer que o novo muro em construção na Europa, previsto para ter 175 quilómetros de extensão e quatro metros de altura, é fruto das mentes ditatoriais, reacionárias e medievais dos governantes actuais da Hungria. A Hungria é e continua a ser membro de pleno direito da União Europeia, os carrascos dos povos submetidos à austeridade, tão eriçados quando se trata de pugnar pela ganância dos credores, estão mansos e em paz perante a obra que nasce na fronteira entre o Estado magiar e a Sérvia.
Para os que não conhecem os factos, tratados com pinças pela comunicação social ao serviço dos credores, o muro está a nascer em limites externos da União Europeia, lá onde a Hungria e a Sérvia se separam. A barreira, que uma vez terminada vedará completamente a fronteira, é justificada pelos fascistas húngaros no poder pela necessidade de combater a entrada de refugiados que, oriundos das zonas do mundo mais desgraçadas pelas guerras, a fome e a rapina, cruzam os Balcãs como outros se perdem nas águas mediterrânicas, para encontrar um refúgio no espaço europeu.
O muro húngaro não é mais do que a versão materializada das palavras um dia proferidas pelo director-geral do Frontex ao confessar que esta instituição europeia securitária e repressiva não tem qualquer preocupação humanitária e apenas salva alguns náufragos em desespero porque a isso a obriga o direito marítimo. Aos que chegam da Sérvia e tentarem trepar o muro húngaro não haverá direito terrestre que lhes valha.
Não vale a pena recorrer ao previsível argumento de que os húngaros elegeram os fascistas que os governam e estes apenas se limitam a levar bem à letra a expressão “Europa fortaleza” que define, a preceito, a política agressiva e insensível dos dirigentes europeus perante os refugiados, gente que pretende apenas uma vida que não esteja sempre paredes meias com a morte, a fome e a guerra. Os dirigentes europeus têm Viktor Orban, o ditador fascista húngaro, como um dos seus. Atribuíram-lhe o petit nom de “o ditador” – como o presidente da Comissão exemplificou numa das recentes e caricatas sessões de fotos de família – e usam-no em jeito de piada sem graça, de epíteto brejeiro à medida de alguém um pouco, digamos, excêntrico. Nada de grave, presume-se.
Institucionalmente, nada acontece. O regime ditatorial húngaro constrói um muro numa fronteira externa do espaço europeu que viola a letra e o espírito dos tratados europeus, que espezinha direitos humanos básicos, que coloca a União Europeia a par dos regimes coloniais e terroristas de Marrocos e Israel, e nada acontece. Pelo contrário, a atitude complacente de figuras como a senhora Merkel, ou o senhor Hollande, ou os senhores Renzi e Juncker é tão silenciosa que dir-se-ia terem dado instruções aos seus arquitectos e engenheiros para tornarem possível a edificação de um dique no Mediterrâneo tão competente e estanque como vai ser muro na fronteira da Hungria com a Sérvia.

O muro húngaro é, no fim de contas, uma obra lógica, uma consequência natural do estado a que chegou a União Europeia. Harmoniza-se com a sanha que vitima os direitos dos povos a pretexto das dívidas soberanas, está sintonizado com o destrambelhamento das medidas avulsas usadas face à crise humanitária nas águas do Mediterrâneo. E tudo converge na demonstração inequívoca de como os dirigentes europeus lavam as mãos das suas elevadas responsabilidades nas guerras, na degradação ambiental, nos problemas de fome e carência de recursos básicos, na destruição de países e regiões de onde fogem as multidões que apenas podem ser acusadas do desejo de sobreviver. 

domingo, 12 de julho de 2015

A MISSÃO DO EURO



Os europeus e o mundo em geral, embalados pelas lengalengas da comunicação social tecendo as opiniões à medida do hábito do império do dinheiro, continuam com o olhar fixo na Grécia – ou melhor, naquilo a que, como cúmulo da ironia, costuma designar-se o futuro da Grécia – tendendo a ignorar as decisões de fundo que continuam a jogar-se e envolvem, no mínimo, todo o espaço europeu. É a velha história, neste caso, de sobrevalorizar a árvore em detrimento da floresta.
É grave o que se passa na Grécia, será gravíssimo o que irá passar-se noutros países, entre os quais Portugal, independentemente do que venha a acontecer na Grécia. À boleia da crise grega foram postas em cima da mesa situações no âmbito da Zona Euro e da própria União Europeia que, a partir de agora, não poderão ser varridas para debaixo do tapete pela senhora Merkel, pelo senhor Schauble e até pelos hoje desavindos Renzi e Hollande, os quais não tardarão a regressar em boa ordem ao redil.
A primeira dessas situações, e absolutamente fulcral, é a evidência da verdadeira estratégia imposta pela Alemanha em Maastricht e que teve como consequência a exportação da política monetária alemã, através do Euro, a mais de metade dos países da União Europeia, independentemente dos seus estados de desenvolvimento económico. Os chamados critérios de convergência a que os países foram obrigados para se integrarem na Zona Euro meteram no mesmo saco nações pobres, remediadas ou ricas, nações importadoras ou exportadoras – neste caso uma única, a Alemanha.
Hoje, mui doutos analistas sentenciam salomonicamente que se os gregos defendem os seus interesses também é democrático que os alemães defendam os seus. Uma doutrina muito pragmática, tecnocrática como estipulam os cânones da modernidade, embora deva ser acompanhada por um pequeno reparo: os gregos defendem-se da ganância alemã; os alemães entendem como seus os interesses dos restantes europeus. E o Euro é uma arma fundamental dos interesses alemães encarados com esta abrangência.
O Euro é causa e efeito da tragédia grega e do efeito de dominó que já atinge muitos outros países europeus. Até a própria Alemanha, que se julga hoje imune aos efeitos de uma qualquer solução grega e mais tarde ou mais cedo perceberá o erro de cálculo que é o de humilhar com exigências em cima de exigências os povos que são, ao mesmo tempo, os principais compradores dos produtos que a sua economia exporta.
Para quem ainda tenha dúvidas sobre o efeito de dominó que resultará da explosão do Euro – na sua versão actual a 19 países – chamo a atenção para o facto de na sombra da estratégia de Merkel e de Schauble estar Otmar Issing, ex-administrador do Banco Central Europeu, conselheiro do famigerado Goldman Sachs, como é de bom-tom, e que foi em 2012 o ideólogo da condenação dos PIIGS, como estão lembrados a doutrina de expulsão da Zona Euro de países como Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha. Talvez se perceba agora melhor a recente exclamação do primeiro-ministro italiano, Mateo Renzi, pedindo que “deixe de se humilhar a Grécia”. Ele sabe que o seu país está na fila para o mesmo destino e pelo menos admite-o implicitamente, ao contrário de outros capazes de seguir a Alemanha até ao fim do mundo, neste caso até aos descalabros dos seus próprios países.
Sejam quais forem as medidas que venham a ser anunciadas a propósito da Grécia, uma conclusão pode avançar-se já: o prazo de validade do Euro, tal como foi inventado em Maastricht à imagem e semelhança do Marco alemão, está a esgotar-se. Cumpriu, contudo, a tarefa histórica pretendida por quem o inventou: partir dos critérios de convergência para a instauração do regime da austeridade, entendido como a mais violenta regressão em direitos sociais e humanos registada na Europa moderna.


sexta-feira, 10 de julho de 2015

NATO E UNIÃO EUROPEIA A UMA VOZ



As ligações umbilicais entre a NATO e a União Europeia não resultam apenas do facto de 23 dos 28 membros da segunda serem igualmente membros da primeira. A NATO funciona, sem qualquer dúvida, como braço armado da União Europeia, comandado operacionalmente pelos Estados Unidos da América, num processo de fusão que os dirigentes de ambas as entidades fazem, aliás, questão de afirmar sem ambiguidades.
A afinidade dos objectivos estratégicos proclamados pela NATO, através da voz do seu secretário-geral, o ex-primeiro ministro norueguês Jens Stoltenberg, e da União Europeia, através da italiana Federica Mogherini, responsável pelas relações externas, transformou-se num afinado dueto.
Enquanto a NATO afirma que está a organizar-se para uma guerra em duas frentes – a Oriente contra a Rússia e no Mediterrâneo a pretexto da situação no Médio Oriente e da crise dos refugiados – a União Europeia assegura, Mogherini o disse, que os seus membros irão, a partir de agora, reforçar ainda mais os orçamentos militares, devido aos desafios securitários nas regiões banhadas pelo Mediterrâneo e às ameaças russas no Leste. Crise grega, estagnação e crise económicas persistentes, a União Europeia em 172º lugar no ranking mundial das taxas de crescimento económico? Não importa: as ameaças russas, dos refugiados esfomeados e das réplicas da guerra imposta na Síria são também razões mais do que suficientes para que não haja alternativa à austeridade.
Stoltenberg e Mogherini – que passou a ser figura omnipresente nas reuniões da NATO – afiançam que todos os esforços devem ser feitos para salvar a Ucrânia e a Geórgia das garras russas, ao mesmo tempo que é preciso instaurar um governo unitário na Líbia. O secretário- geral da NATO reconhece que as operações da aliança em 2013 foram um êxito na maneira como libertaram os civis da ditadura de Khadaffi, porém a situação não é satisfatória, pelo que tudo se conjuga para que tropas atlantistas voltem à Líbia, novamente com o protagonismo de países da União Europeia - França, Reino Unido e Itália, como há dois anos.
Na Líbia, as tropas da NATO irão encontrar pela frente milícias associadas ao Estado Islâmico, as mesmas que foram suas aliadas na guerra para derrubar e assassinar Khaddaffi.
Mas as alianças que parecem ser passado na Líbia são ainda presente na Europa Oriental. O New York Times reconheceu que três batalhões fundamentalistas islâmicos, dois constituídos por chechenos e um por tártaros, participam ao lado das tropas de Kiev, sustentadas pela NATO, e das milícias nazis, treinadas por esta aliança, na vaga de terror contra as populações do Leste e Sudeste da Ucrânia.
Por detrás destes batalhões não estão apenas a NATO e os nazis ucranianos, mas também o Estado Islâmico, uma vez que os mercenários que os compõem foram transferidos das hordas envolvidas na guerra civil síria. Para se ter uma ideia de como os mercenários islâmicos originários do Cáucaso têm peso no Estado Islâmico basta a informação de que o russo ultrapassou o árabe como língua dominante no comando da mais poderosa organização terrorista da actualidade – não incluindo os Estados terroristas, como é óbvio.
São ínvios, pois, os caminhos da NATO e da União Europeia, nos seus generosos e pacíficos combates pela democracia. E não se pense que o dueto formado por Stoltenberg e Mogherini afina formalmente pela direita encafuada no Partido Popular. O norueguês foi primeiro- ministro pelos trabalhistas; e a italiana integra o Partido Democrático, uma associação pouco recomendável que serviu para extinguir os velhos partidos Comunista e Socialista italianos, liderada por Mateo Renzi, esse inspirado primeiro-ministro que vê nas petroditaduras do Golfo a redenção da União Europeia.