pub

Mostrar mensagens com a etiqueta ttip. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ttip. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

O APARTHEID DO EUROPEÍSMO


 
Ser ou não ser europeísta, eis a questão brandida como o mais recente método de apartheid político, espécie de segregação entre os “bons” que se ajoelham perante Bruxelas e os “maus” para quem a democracia ainda significa o respeito pelo que a maioria dos cidadãos decidem. Um apartheid que serve para estabelecer quem não deve participar em governos dos Estados membros, ainda que faça parte das preferências dos eleitores, em nome de compromissos internacionais, a maioria deles assumidos sem qualquer consulta aos cidadãos, outros ainda nem sequer concluídos, como é a malfeitoria internacional conhecida por TTIP, ou tratado transatlântico, a mais recente via de submissão da União Europeia aos Estados Unidos da América.
Europeísmo, é bom lembrá-lo em primeiro lugar, não funciona como antítese de nacionalismo. O contrário do europeísmo, tal como o conhecemos e funciona, é o conceito democrático de soberania, o exercício da vontade dos povos em defesa dos seus interesses através de consultas nacionais. O europeísmo centralista, como sabemos, não se rege por consultas populares, a não ser para um Parlamento Europeu que age como uma caricatura de qualquer afirmação plena da soberania, porque os seus poderes são limitados e altamente filtrados.
As décadas de vigência de europeísmo são suficientes para demonstrar que este é uma aberração desde o início, por muito que hoje ainda haja gente, alguma até bem-intencionada, que mitifique os supostos ideais dos “pais fundadores”.
Ideais que não foram além da criação de uma entidade económica e política implantada na guerra-fria para florescimento de impérios económicos e sorvedouros financeiros seguros pelo aparelho da NATO, entidade essa que, terminada a guerra-fria, se assumiu como um polo fundamental da mistificação da democracia ao serviço do autoritarismo neoliberal.
Note-se que os “pais fundadores” agitavam a mítica construção dos “Estados Unidos da Europa”, que tem hoje correspondência nas tendências “federalistas”. Nada mais anacrónico e afectado por interpretações oportunistas da História. Segundo essas correntes, a Europa milenar e espelhada num mosaico de Estados-nação profundamente enraizados deveria adoptar um modelo que ainda não tem 250 anos, montado através de artifícios em que os Estados não correspondem a nações e não passam de ficções ditadas por conveniências de descentralização administrativa e interesses de castas económicas com inspiração feudal.
Hoje em dia, o europeísmo não passa de uma submissão dos governos dos Estados membros a um edifício de mecanismos que transferem para Bruxelas os instrumentos fundamentais nos quais assenta a soberania dos povos e que condicionam – ou até subvertem – as vontades dos cidadãos manifestadas em eleições livres.
O caso mais flagrante e cada vez mais exposto perante as pessoas, apesar das fintas da propaganda, de desinformação que o envolve e da ausência de debate com que foi institucionalizado, é o do Tratado Orçamental – a arma preferida dos tecnocratas de Bruxelas e respectivos patrões financeiros e económicos.
O Tratado Orçamental retira aos governos e parlamentos dos Estados membros a capacidade de decidirem sobre os respectivos orçamentos de Estado, os quais, como se sabe, definem não apenas os caminhos da prática económica mas também a política geral, isto é, a vida dos povos.
Poucos instrumentos deveriam corresponder de maneira intrínseca à soberania popular como os orçamentos de Estado. Hoje em dia, porém, todos os orçamentos são fiscalizados em Bruxelas, com direito de veto de indivíduos à moda das troikas ao serviço dos títeres bancários, dos casinos bolsistas, dos bandos de agiotas e especuladores. Os governos elaboram as bases dos orçamentos, enviam-nas para Bruxelas, onde podem ser absolutamente subvertidas de acordo com a ortodoxia neoliberal, cabendo depois às maiorias parlamentares aprovarem-nos para envernizar o processo com a capa democrática, em nome dos supostos compromissos internacionais. Parlamentos que têm de decidir segundo as ordens europeístas, custe o que custar, sejam quais forem os resultados eleitorais porque, caso contrário, serão acusados de violar os interesses das Nações, abusivamente confundidos com os de Bruxelas.
O exemplo grego ainda está fresco; atente-se no que se passa em Portugal e percebe-se assim como o apartheid do europeísmo é o mais letal dos mísseis disparados pelo regime contra os movimentos consequentes anti austeridade. Não pactuar com o europeísmo não é ser nacionalista: é um acto de luta em defesa da soberania dos povos e do funcionamento da democracia como expressão legítima das vontades populares expressas de acordo com as Constituições. A barreira de separação não passa entre europeístas e não europeístas, mas sim entre as castas instaladas ao serviço das conveniências antidemocráticas do autoritarismo concentrado em Bruxelas e os verdadeiros defensores das soberanias nacionais.
 

domingo, 31 de maio de 2015

BALSEMÃO, BARROSO & Cia


 

Anuncia a comunicação dita “de referência”, que nestas coisas do chamado arco da governação tem obrigação de saber do que fala, que o senhor Pinto Balsemão, luso-imperador da comunicação social com sotaque global do comendador Marinho, escolheu sucessor na comissão permanente do universo conspirador conhecido por Grupo de Bilderberg. E esse sucessor é: o inefável Durão Barroso, pois quem havia de ser? De conspirador militante anti-25 de Abril, via mrpp, a intérprete dos desejos dos barões da especulação financeira a quem foi confiado o cutelo da austeridade, passando por anfitrião da cimeira de grandes mentirosos que acelerou o caos em que se encontra o Médio Oriente, o seu currículo merece tão valiosa recompensa como insigne distinção. Barroso não passa apenas a fazer parte do núcleo dos grandes conspiradores que, numa clandestinidade aristocrática, definem como deve funcionar a “democracia transparente” em todo o mundo; assume também funções executivas, isto é, empunha o facho com a chama acesa entre conclaves anuais e, por inerência, convida os portugueses a quem serão atribuídas as missões estratégicas a desempenhar nos próximos tempos.
Esta interpretação de factos tão relevantes que aqui vos transmito emana, como não podia deixar de ser, dos sinistros antros da teoria da conspiração. O senhor Balsemão foi um corajoso dissidente do fascismo, até integrou a Ala Liberal, uma engenhosa manobra de regeneração do marcelismo através do manto diáfano da democracia para que o capitalismo continuasse a ser o que sempre foi; foi apanhada em contrapé pelos militares, é verdade, mas logo se recompôs reencarnando em forma PSD. O senhor Balsemão foi até primeiro-ministro durante a longa marcha contra a herança do 25 de Abril conduzida juntamente com o dr. Soares e o prof. Freitas, sob a batuta ágil e enérgica do embaixador Carlucci, para devolver o país à essência da Ala Liberal, que hoje tanto pode chamar-se ala neoliberal como arco da governação. No entanto, a vocação autêntica do senhor Balsemão é a propaganda, tendo encontrado no Grupo de Bilderberg o lugar certo para desempenhar a missão que lhe foi outorgada, com vantagens inegáveis para o próprio e quem o escolheu e danos vultosos para a democracia. Danos vultosos estes que não são colaterais, mas sim a essência dos objectivos a atingir.
Quanto ao senhor Durão Barroso, uma geração abaixo, é a sucessão natural do agora fatigado guerreiro Balsemão, merecedor de repouso e de uma enxurrada de condecorações. De feroz inimigo da “educação burguesa” traulitando a eito contra o 25 de Abril a enfático presidente da Comissão Europeia com um pé ou os dois sempre em Washington – lembre-se a cruzada pelo “acordo de comércio transatlântico” lançada a todo o gás e com as urgências máximas no último ano do seu mandato - ele tem energia, contactos e experiência para dar e vender nos areópagos da conspiração mundial. Parece ser o homem certo no lugar certo porque nos últimos anos poucos dirigentes políticos têm conseguido ser tão eficazes contra a democracia e os direitos humanos em nome da democracia e dos direitos humanos. O senhor Barroso – há que reconhecer-lhe esse talento - tem o savoir-faire, a intrepidez e a flexibilidade de manobra fundamentais para executar missões e trabalhos de sapa encomendados pelos padrinhos, que assim conservam as mãos limpas e impolutas. Das Lages ao desempenho à cabeça da Comissão Europeia não faltam exemplos ilustrando uma tal vocação que lhe vem da meninice e à qual soube puxar o lustro exigido pela elegância da especulação financeira.
Neste mês de Junho, que promete ser quente, dar-se-á a passagem do testemunho de Balsemão para Barroso em mais um conclave anual de Bilderberg. Com as ondas de choque do acordo entre os Estados Unidos da América e o Irão no horizonte, os magnatas, generais, barões da propaganda, super-espiões, estrategos, ex-governantes, imperadores das telecomunicações vão formatar os acontecimentos do próximo ano e daí canalizarão as ordens a cumprir pelas múltiplas versões de arco da governação implantadas através do globo. Lá estarão também os portugueses, escolhidos quiçá a quatro mãos por Balsemão & Barroso, para serem instruídos nas missões a desempenhar, sejam quais foram os resultados das eleições, para que a lusitana versão do arco da governação prossiga no caminho em que deve prosseguir para que os ricos sejam cada vais mais ricos e os pobres cada vez mais pobres e mais numerosos.
Interpretação esta que não passa, como sempre, de mal-intencionada teoria da conspiração.